Álcool

Antes de beber pense no que vai fazer! Porque os problemas ligados ao álcool são mesmo demais! O abuso de álcool está ligado a várias doenças: hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, arritmias cardíacas, cardiomiopatia alcoólica, cancro da orofaringe, do esófago ou do estômago, úlcera gástrica ou duodenal, cirrose do fígado, coma alcoólico, doenças mentais, etc., etc., etc…

Antes de beber pense no que vai fazer!

Por outro lado tem consequências negativas a nível social, de que destacamos a violência doméstica, ou nas ruas, e os fogos, domésticos ou outros; problemas familiares e no emprego; acidentes no transito (terra, mar e ar) ou na construção; e até doenças do feto, que quereria nascer com saúde e sofre o grave sindroma fetal alcoólico. Não é só o bebedor que sofre as consequências do seu álcool, mas também os filhos, os familiares mais próximos, os amigos e os vizinhos, os companheiros de trabalho e muitas vezes pessoas que lhe são completamente estranhas e se encontram no local na hora errada.

Quando se consome uma bebida alcoólica, o álcool que esta contém passa em pouco tempo para o sangue: 5 a 15 minutos se ingerido fora da refeição; 30 a 60 minutos se a passagem é retardada pela presença de alimentos (isto é durante ou após a refeição). Através  da boca e do esófago, o álcool chega ao estômago e intestinos onde é absorvido, e aí também a absorção é tanto mais rápida quanto mais concentrada é a bebida em termos de conteúdo alcoólico. É transportado pelo sangue até ao fígado, onde inicia a sua lenta metabolização. É ainda sangue com álcool que prossegue na circulação atingindo o coração, os pulmões, cérebro, rins, membros superiores e inferiores, e todo o resto.

Embora dependendo da idade e do sexo, o consumo de álcool tem de ser acompanhado de muita prudência. Estes são alguns conselhos que podem ajudá-lo a lidar com o problema.

1. taxa de alcoolémia

Chama-se taxa de alcoolémia à concentração de álcool no sangue de um indivíduo, em determinado momento, e expressa-se em gramas de álcool por litro de sangue. Assim quando se fala de uma alcoolémia de 0,5 g/l estamos a dizer que existe meio grama de álcool por litro de sangue. Esta taxa (proibida na condução) é muito facilmente atingida por ex. após a ingestão de dois copos de vinho ou ½ litro de cerveja. A presença de álcool no sangue é indicação de que o álcool se espalhou já por todo o corpo, e particularmente nos órgãos mais abundantemente irrigados como o fígado e o cérebro. A sua eliminação é um processo lento, e é por isso que todo o cuidado é pouco!

2. Sempre que beber não conduza.

A lei proíbe que qualquer indivíduo conduza com alcoolémia igual ou superior a 0,5g/l. E se estiver envolvido num acidente, nestas condições, a Companhia de Seguros fica liberta de toda e qualquer responsabilidade – você terá de pagar tudo, se ficar com vida!

Note contudo que alcoolémias inferiores a esta taxa não são inofensivas: os reflexos e a visão podem já estar diminuídos ao ponto de não reagir a tempo numa situação de perigo.

Insisto: as bebidas alcoólicas, mesmo tomadas só ocasionalmente e em pequena dose, são responsáveis por um número enorme de acidentes de viação. Provocam modificações nos nervos, que diminuem a sensibilidade e os reflexos, e diminuição da visão e dificuldade na compreensão das distâncias. E na maior parte dos casos só o percebe quando já é tarde demais.

Não se esqueça:

o consumo de álcool, mesmo moderado, aumenta por demais o risco de acidente na estrada (ou outro tipo de condução, na terra, mar e ar)!

3. álcool no trabalho

Grande número de acidentes de trabalho, sobretudo na construção civil, estão também relacionados com o álcool. E as consequências do consumo de álcool no trabalho não se ficam por aqui:

  • aumento do absentismo;
  • diminuição da produtividade
    (há no alcoólico crónico uma forte diminuição quantitativa e qualitativa da produtividade);
  • agressividade e conflitos laborais;
  • e mesmo reforma ou morte prematuras.

4. não ingira bebidas alcoólicas durante a gravidez

Se estiver grávida ou amamentar não deve beber bebidas alcoólicas. O álcool atravessa facilmente a placenta e passa da mãe para a criança.

Dependendo da quantidade, as consequências más podem ser várias: aborto espontâneo; parto prematuro; nado morto; malformações diversas. O síndroma fetal alcoólico (mais frequente do que pensamos) provocado pelo álcool a que a mãe sujeita o feto durante a gravidez, pode reflectir-se em malformações do crânio e da face da criança, dos membros, do coração, dos rins, etc., e deficiente crescimento em termos de peso e estatura.

Se deseja um filho com saúde é absolutamente indispensável que não ingira bebidas alcoólicas durante a gravidez. Mesmo em doses moderadas o risco de anomalias fetais é grande. Antes de conceber um filho (hoje o planeamento é viável) ambos devem deixar de beber (e de fumar!...) pelo menos nos dois meses anteriores.

5. enquanto amamentar prefira bebidas saudáveis

O leite materno é sem dúvida o melhor alimento para o bebé por isso, enquanto amamenta, não beba bebidas alcoólicas. O álcool difunde-se muito bem nos líquidos orgânicos ricos em água, pelo que atinge no leite materno concentrações semelhantes às que existem no sangue.

Lembre-se, para seu bem e do seu filho:

enquanto amamentar prefira bebidas saudáveis como a água, o leite e sumos naturais.

6. “queimar” o álcool

Crianças e adolescentes antes dos 17 anos não conseguem “queimar” o álcool que ingerem (isto é levam mais tempo a metabolizá-lo e a eliminá-lo). Mesmo pequenas quantidades de álcool são suficientes para prejudicar as capacidades em desenvolvimento, nos jovens, e ainda mais nas crianças. A inteligência, a memória, o raciocínio e a atenção são mais prejudicados, porque os órgãos e estruturas do sistema nervoso central são os mais sensíveis ao álcool nesta fase da vida.

Face ao álcool o sexo feminino é também mais frágil (por vezes coma alcoólico a seguir a poucos “shots”).

7. educação

Pais e professores têm um papel muito importante na educação e no conhecimento dos que chamamos os sub-20 (de menos que zero até aos 19 anos). Expliquem detalhadamente às crianças e oiçam-nas também sobre os perigos que advêm do consumo de álcool e evitem beber, como modo social de estar, ou estilo de vida, sobretudo em frente delas: a tendência é reproduzirem em jovens os estilos de vida que observaram na infância.

a tendência das crianças é reproduzirem em jovens os estilos de vida que observaram na infância.

8. álcool não mata a sede

O álcool não aquece, não mata a sede, não dá força, não ajuda a digestão, não abre o apetite, não é um medicamento. E se está a tomar algum remédio sedativo, calmante, hipnótico, ou psicotrópico, evite o consumo de bebidas alcoólicas. O álcool, mesmo em pequenas quantidades, aumenta o efeito deste tipo de medicamentos, aumentando assim o perigo de acidentes sobretudo de trabalho, ou em qualquer meio de condução.

O álcool, mesmo em pequenas quantidades, aumenta o efeito deste tipo de medicamentos

A ingestão regularmente excessiva de bebidas alcoólicas (mesmo pequenas doses, repetidas ao longo do dia), vai mantendo uma alcoolização permanente, com intoxicação alcoólica crónica (às vezes pouco visível ou perceptível) ou mesmo alcoolismo crónico. Mantém-se um efeito contínuo sobre todos os órgãos do nosso corpo, com graves alterações, como gastrite, úlcera, falta de apetite, vómitos, cirrose do fígado, doença cardiocerebrovascular, sintomas neuro-musculares (formigueiros, adormecimento dos dedos, cãibras, dores, cansaço muscular e tremor das mãos) e também alterações mentais e psicológicas, como sejam dificuldade de raciocínio, perda de memória, irritabilidade, depressão, ou mesmo delírio alcoólico.

Não se deixe envenenar e modere o seu consumo de álcool!

9. procure o apoio de amigos e familiares e peça ajuda ao seu médico

Se bebe em excesso, decida parar, procure o apoio de amigos e familiares e peça ajuda ao seu médico! Às vezes (quase sempre) é difícil reconhecer que se é “alcoólico”, todavia um primeiro passo para o tratamento é o reconhecimento de que bebe em demasia. Decerto que pressentiu alguns sinais à sua volta:

  • falta de memória;
  • dificuldade em concentrar-se;
  • vontade de beber logo pela manhã;
  • conflitos em casa, no trabalho ou com amigos;
  • etc., etc...

10. beba sempre com moderação

Os nossos conselhos não impedem que indivíduos adultos, saudáveis, possam dizer sim às bebidas alcoólicas, desde que em doses moderadas; parece até que o álcool, e talvez mais o vinho tinto, pode até ser protector, se não ultrapassar ¼ de litro de vinho ou duas cervejas repartidos pelas 2 principais refeições (não deve beber entre as refeições ou em jejum).

A ingestão de bebidas ditas “brancas” ou destiladas (aguardente, bagaço, vodka, whisky, etc.) deve ser excepcional. O perigo dos bares ou discotecas nos jovens está a ser incrivelmente grave (acidentes, violência, coma alcoólico e… gravidez precoce, ou SIDA!).

revisão de outubro de 2010

 

Estes são conselhos do Prof. Fernando de Pádua Presidente da Fundação Professor Fernando de Pádua e do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva

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