Hipertensão Arterial

1. A expressão “tensão arterial” diz respeito à pressão que o sangue faz na parede das artérias por onde circula, paredes que por isso ficam sob tensão, distendidas pela pressão do sangue: tensão e pressão tornam-se assim equiparáveis.

Fala-se em pressão arterial “máxima e mínima” (ou “sistólica e diastólica”) referindo-nos ao valor máximo alcançado com a contracção do coração (sístole) e ao valor mínimo quando o coração a seguir se distende e relaxa (diástole).

2. Os valores normais para a pressão sistólica (em centímetros de mercúrio) vão, nos adultos, de 10 até 13,9 cm Hg, e para a diastólica de 6 a 8,9 cm Hg. Os valores nas crianças são um pouco mais baixos.

Falamos pois em hipertensão arterial quando os valores da máxima e da mínima forem iguais ou superiores a 14/9. Aproximadamente uma em cada 3 pessoas adultas, em Portugal, tem hipertensão.

Na actual conjuntura (estilos de vida e alimentação cada vez menos saudáveis) mais que 1 em cada 10 jovens sub-20 (isto é com menos de 20 anos de idade) está a ter hipertensão arterial!

Em 2007, o Joint National Commitee (USA) – estabeleceu novos limites para a pressão arterial.

Hipertensão

Igual ou superior a 14/9 cm Hg (ou 140/90 mm Hg)

Tensão Normal

Igual ou inferior a 12/8 cm Hg (ou 120/80 mm Hg)

Pré-Hipertensão

Faixa que vai dos 12 a 13,9 (120 a 139) para a pressão sistólica, e/ou 8 a 8,9 (80 a 89) para a diastólica.

O conceito de pré-hipertensão vem recordar que é por esse caminho que se chega à hipertensão. Serve de aviso para quem não leva uma vida saudável: não precisa ainda de tomar medicamentos, mas… se fuma pare de fumar, se tem excesso de peso tente baixar para o normal, reduza drasticamente o sal e consuma menos álcool, faça exercício físico todos os dias, e aprenda também  a gerir o stress da vida diária. O aviso é cada vez mais imperioso para as novas gerações de sub-20, cada vez mais expostos a estilos de vida errados, conducentes à síndrome metabólica: obesidade central (abdominal), hipertensão, dislipidémia (colesterol e triglicéridos elevados), diabetes (e/ou resistência aumentada à insulina), frequentemente agravada, nas suas complicações, pelo sedentarismo e pelo fumo do tabaco.

3. A hipertensão arterial não se sente, mede-se! Quer isto dizer que a pressão pode estar alta sem se sentir nada, e por outro lado, pode-se estar nervoso, “sob tensão”, e ter a tensão arterial normal. Meça pois a sua tensão arterial: e, se estiver normal (menor que 12/8) óptimo, mas volte a verificar a medição uma vez em cada ano (por exemplo, para não se esquecer, no mês em que faz anos – chame-lhe o seu Mês do Coração e faça um check-up cardiovascular.

É importante verificar a tensão arterial com mais frequência se for pré-hipertenso, ou se porventura tem na família pessoas com hipertensão, ou com diabetes, sobretudo se sofrem ou sofreram precocemente de doença vascular cerebral, ou de doença das artérias coronárias (angina de peito, enfarte do miocárdio, ou morte súbita).

4. Com excepção de casos especiais e raros, com tratamento específico (coartação da aorta, doença renal ou tumores suprarrenais (Cushing, hiperaldosteronismo ou feocromocitoma), ou ainda sensibilidade aos anticoncepcionais (com subida lenta e gradual da pressão ao longo dos anos), o aparecimento de hipertensão arterial surge na sequência de um conjunto de factores variados de atitudes, comportamentos e estilos de vida errados, actuando possivelmente sobre um fundo genético - os quais, se corrigidos, poderão prevenir ou atrasar não só o aparecimento de hipertensão como também das suas complicações: aceite pois algumas sugestões que podem alterar a sua tendência para hipertensão e trazer melhor qualidade à sua vida.

  • Se tiver excesso de peso: procure manter o peso, em quilogramas, abaixo do número de centímetros de altura que tem, para cima de um metro – por exemplo 65 Kg se mede 1,65 m (mais científico é manter o índice de massa corporal entre 18 e 25 Kg/m2). Para reduzir o peso, reduza as gorduras, calorias e doçuras, aumente as verduras, e passeie a pé, pelo menos meia hora todos os dias.
    Vem-se dando também importância à maior gordura abdominal (em forma de maçã) que será pior que a gordura ginecológica (em forma de pêra - nádegas e coxas). O perímetro abdominal deverá ser menor que 94 cm para os homens e que 80 cm para as mulheres.
  • Se usar sal em excesso: em média ingerimos 15 a 20g de sal (cloreto de sódio) por dia, quando não deveríamos exceder 5 gramas. Use ervas aromáticas como tempero: coentros, hortelã, segurelha, estragão, poejos, orégãos, cominhos, cebolinho, etc., e evite o sal! (baixe gradualmente, ao longo de 1 ou 2 meses para se habituar, e à família, e suprima o saleiro à mesa). Atenção especial aos produtos alimentares industrializados (a começar pelo pão, fumados e queijos e a continuar pelas refeições e molhos prefabricados, sempre muito ricos em sódio).
  • Se bebe, por hábito, procure reduzir para 2 ou 3 dl/dia de vinho (tinto de preferência) ou duas cervejas.
  • Se é sedentário comece a fazer: pelo menos 30 minutos de actividade física diariamente, por exemplo marcha a pé (faça 60 minutos se precisa de emagrecer!). Dança, natação ou bicicleta são também ótimos exercícios, e se os fizer com amigos, ou familiares próximos, tirará muito mais prazer.
  • Se se encontrar com excesso de trabalho e sob stress (ou outras causas de stress excessivo), procure guardar 10 min. no fim do seu dia de trabalho para planear a agenda do dia seguinte – ajuda até a definir prioridades e metas a atingir.
  • Se fuma: pare de fumar, já, pois com ele toda a hipertensão se torna muito mais perigosa (e isso inclui o fumo passivo!).  Explicar aos jovens, e ouvi-los, sobre os malefícios do tabaco e as vantagens de não começar a fumar!
  • Se tiver hipercolesterolémia (valores elevados de colesterol) ou  hiperglicémia (diabetes ou pré-diabetes) saiba que agravam também o prognóstico de qualquer hipertensão, por isso reduza a carne, ovos, molhos, fritos ou laticinios gordos, bem como os açucares (oiça o seu médico).

5. Se medir a tensão arterial e ela estiver acima do normal (confirme com outras medições noutras circunstâncias) e procure o seu médico para ser observado e aconselhado.

Entretanto inicie desde logo as medidas não farmacológicas para tratar ou prevenir a hipertensão: pare de fumar, reduza o sal e o álcool, não abuse do trabalho, aprenda a relaxar-se, e comece a controlar o peso e a fazer exercício todos os dias (pelo menos 30 min. de marcha a pé).

Não esqueça que entre 12 e 14cm para a máxima  é já pré-hipertensão!

O seu médico vai pedir-lhe o estudo das gorduras do sangue (colesterol e triglicéridos) e do açúcar (glicémia em jejum e/ou pós refeição e hemoglobina glicosilada), e iniciará um tratamento medicamentoso, se porventura as medidas não farmacológicas não tiverem entretanto trazido a pressão arterial ao normal, ao longo de algumas semanas (isto é, a correcção da dieta, do sal, do tabaco, do álcool, do stress se possível, o controlo do peso e o aumento da actividade física).

Aliás adoptar um estilo de vida mais saudável também melhora o colesterol (baixa o LDL e ajuda a subir o HDL) e reduz o excesso de peso e a hiperglicémia.

Por vezes é preciso fazer um MAPA (ou RAPA), isto é estudar a pressão arterial ambulatória (ao longo das 24 horas do dia), para saber a pressão de noite e de manhã, e também para excluir o fenómeno da “hipertensão da bata branca” (ou seja, a subida da tensão arterial em situações emocionais, como p. ex. a consulta médica, sem na verdade ser hipertenso).

6. A hipertensão arterial é uma doença séria com complicações graves (por vezes mortais), mas há muitos medicamentos para a tratar, de forma a trazer os valores da tensão para níveis abaixo de 14/9, mas não muito baixos (se o doente já tiver doença cardíaca, diabetes, insuficiência renal ou colesterol elevado, não parece desejável menos que 12/8).

Com o tratamento evitará muitas complicações: a hipertensão arterial não tratada cansa o nosso coração e pode levar à sua insuficiência; contribui para a esclerose das artérias (com ajuda do tabaco, do colesterol LDL e da diabetes), pode desencadear acidentes vasculares cerebrais ou ataques cardíacos, e pode conduzir à perda gradual da visão ou à insuficiência renal e urémia, mas sobretudo à insuficiência cardíaca.

7. Todas estas complicações da hipertensão podem ser melhoradas ou mesmo evitadas com o seu tratamento, se seguir cuidadosamente os conselhos do seu médico:

  • O tratamento medicamentoso tem de ser continuado, porque, se o interromper, a pressão volta a subir). Só o pode fazer se e quando o seu médico o aconselhar.
  • O tratamento deve ser vigiado e ajustado pelo controlo dos valores da pressão (mantenha um registo dos seus números, medidos por si em casa, ou por exemplo na sua Farmácia local, com a frequência aconselhada pelo médico, e volte à consulta se eles saírem fora dos valores previstos, para cima ou para baixo). O seu médico pode até ensiná-lo a fazer alguns ajustamentos ou reduções na terapêutica medicamentosa, conforme os valores que for medindo.
    Repito o que já disse: Não pare a medicação sem o ouvir! Ter a tensão normalizada significa que o tratamento está certo, e portanto  deve mantê-lo. Se parar, o mais certo é a tensão começar logo a subir de novo.
  • Alguns remédios antihipertensores podem provocar ligeiros incómodos, que quase sempre passam com o tempo – oiça mais uma vez o seu médico, pois que há sempre outros medicamentos que podem ser tentados em alternativa.
  • Não esqueça que os medicamentos devem ser ajudados pelas medidas não farmacológicas que já atrás descrevemos: redução do sal, do peso e do álcool, parar de fumar, e aumento da actividade física. É também muito importante a introdução de legumes, vegetais e saladas,  ricos em fibra (que ajuda a baixar o colesterol) e em potássio (que ajuda a baixar a tensão arterial). Por vezes, graças a estas medidas adicionais, pode vir a reduzir os medicamentos.

Por outro lado podem ser necessários mais alguns cuidados e remédios, se tiver também colesterol elevado ou açúcar a mais no sangue, ou se já tiver doença cardíaca ou renal.

8. Se tem hipertensão, ou mesmo pré-hipertensão, é possível que algum ou alguns dos seus descendentes (filhos ou netos) ou outros familiares consanguíneos (irmãos, sobrinhos) tenham a mesma tendência.

Seja exemplo para todos, optando por uma vida mais saudável, e disponibilize-se,  sobretudo para os filhos (os seus sub-20), para os ouvir e esclarecer, reforçando-lhes assim a sua autonomia e até a autoestima!

Meçam todos a tensão arterial (e o colesterol e o açúcar no sangue) e, sobretudo, esclareça-os sobre os porquês das proibições, e informe-os sobre as vantagens de assumirem as atitudes e comportamentos mais saudáveis – dessa maneira eles poderão prevenir, no presente e no futuro, o aparecimento da hipertensão, a que eventualmente estariam predispostos, e bem assim outras doenças cardiocerebrovasculares .

Na verdade o que aprendeu, e lhes pode transmitir, são os estilos de vida mais saudáveis, recomendados por todos os especialistas, para prevenção de doenças tão diversas quanto as do coração e vasos, diabetes, obesidade, osteoporose, algumas doenças mentais, doenças pulmonares crónicas, diversos cancros, cirrose do fígado, acidentes (de viação, trabalho e muitos outros) etc, etc. tudo doenças não transmissíveis, facilitadas por nós próprios (made by man) ao não valorizarmos e não combatermos os factores de risco que lhes são comuns: tabaco, álcool, erros alimentares, falta de exercício físico e stress em excesso.

9. Se porventura, para melhor controlo da sua tensão, tiver adquirido um aparelho próprio para a medir (esfigmomanómetro), disponha-se a gastar algum do seu tempo livre a ajudar outros (familiares, amigos e colegas de trabalho, ou na Igreja, Clubes, Associações Recreativas, etc.), medindo-lhes a tensão arterial. Pode assim ajudar a descobrir hipertensos desconhecidos (lembre-se de que a hipertensão só por si não causa sintomas, e que uma pessoa em cada três tem a tensão alta, mas metade delas pode nem o saber!). Aliás,  com o seu aparelho, até pode ajudar a controlar os valores da pressão em familiares e amigos com tensão alta, que estejam em tratamento.

A propósito e a despropósito aproveite para explicar o que sabe sobre hipertensão arterial, e informe-os sobre os conselhos que atrás referimos, recordando-lhes que, no Mês do Coração de cada um deles (o mês do seu aniversário), devem fazer um check up ao coração.

10. Se tem capacidade decisória, ou influência em meios de Comunicação Social (boletins, jornais, revistas, rádios, televisões, internet) ajude a difundir as noções que já aprendeu – no nosso país, noutros países de língua oficial portuguesa, ou mesmo nas pequenas ou grandes comunidades de emigrantes portugueses espalhados por todo o Mundo! E ajude os profissionais de Educação para que o possam fazer junto das crianças e jovens que lhes são entregues (cuidar dos sub-20 para que cheguem aos 120 – vivos, activos e saudáveis!).

E, se tiver possibilidade, ajude a implementar as medidas que agora já conhece, por forma a que as melhores opções sejam as mais fáceis de seguir (e as mais baratas)! Podemos todos ajudar assim a reduzir as cerca de 40.000 mortes por ano, só em Portugal, por hipertensão arterial e outras doenças cardiocerebrovasculares com ela relacionadas (ou atrasar em décadas o seu aparecimento). Podemos por exemplo:

  • Melhorar a alimentação em cantinas e refeitórios (com redução marcada do sal e das gorduras, e aumento de fruta, peixe, cereais e verduras)
  • Redução do consumo de tabaco (activo ou passivo) e de álcool, nos locais de trabalho. O desejável é a abolição, como aliás já impõe a lei sobre o tabaco.
  • Criação de oportunidades para actividade física e desporto, em todas as idades (ginásios e campos de jogos nas Escolas e nas Empresas, circuitos de manutenção, e zonas ou avenidas para pedestres, nas Cidades e Vilas, pistas na estrada (para ciclistas, patins e peões), e até piscinas, e abertura de todos os recintos desportivos - incluindo os novos Estádios - à população global, e às Escolas que os não tenham!)

Todas estas e outras actividades físicas são óptimas medidas para reduzir o stress bio-psicossocial e a hipertensão, para além de  combaterem o sedentarismo e a obesidade, e ajudarem a eliminar o vício do fumo ou o excesso de álcool, melhorando assim a qualidade de vida e a duração da vida, mais saudável e mais activa!

ATENÇÃO À TENSÃO, PARE DE FUMAR… E VÁ PASSEAR !

Revisão de Janeiro 2011

Estes são conselhos do Prof. Fernando de Pádua, Presidente da Fundação Professor Fernando de Pádua e do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva

Faça a sua marcação online!

Marcar consulta agora ›

É simples, rápido e confortável...

Contactos INCP

217 220 560 · [email protected]

Rua Doutor Nicolau Bettencourt nº 45

with passion by softag © 2017 INCP · Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva · Prof. Fernando de Pádua · IPSS 12/90 · NIF: 501 662 863