Antes de beber pense no que vai fazer! O consumo de álcool está
ligado a várias doenças: hipertensão arterial, acidente
vascular cerebral, insuficiência cardíaca, cardiomiopatia
alcoólica, doenças mentais, cancro da oro-faringe do esófago
ou do estômago, úlcera gástrica ou duodenal, cirrose do
fígado, etc., etc., etc.. Por outro lado tem consequências
negativas a nível social, de que destacamos a violência e os
fogos, domésticos ou outros; problemas familiares, acidentes no
trabalho, na rua ou na estrada e doenças do feto, em que não
só o bebedor sofre as concequências do seu abuso, mas também
os filhos, outros familiares, os amigos, os vizinhos ou até
pessoas que lhe são totalmente estranhas.
Quando se consome uma bebida alcoólica, o álcool que
esta contém passa em pouco tempo para o sangue: 5 a 15 minutos
se ingeridofora da refeição; 30 a 60 minutos se a passagem é
retardada pela presença de alimentos, isto é durante a
refeição. Através da boca e do esófago, o álcool chega ao
estômago e intestino onde é absorvido, absorção essa que é
tanto mais rápida quanto mais concentrada é a bebida em tremos
de conteúdo alcoólico. É transportado pelo sangue até ao
fígado, onde inicia a sua lenta degradação. É sangue com
álcool que prossegue na circulação atingindo o coração, os
pulmões, cérebro, rins, membros superiores e inferiores, bem
como todas as restantes partes do corpo.
Embora dependendo da idade, sexo, e muitas outras coisas o
consumo de álcool tem de ser acompanhado de muita prudência e
de algumas regras. Eis pois alguns conselhos que podem ajudar a
tomar um adecisão.
1. Saiba que a taxa de alcoolémia é a quantidade de álcool
existente no sangue e no corpo de um individuo em determinado
momento e expressa-se em gramas de álcool por litro de sangue.
Assim quando se fala de uma alcoolémia de 0,5 g/l é o mesmo que
dizer que existem 0,5 g de álcool por litro de sangue. Esta taxa
é muito facilmente atingida por exemplo após a ingestão de
dois copos de vinho ou ½ litro de cerveja, em média. A
presença de álool no sangue é a indicação de que o álcool
se espalhou em todo o corpo, e particularmente nos orgãos mais
abundantemente irrigados como o fígado e o cérebro. Saiba
também que a alimentação do álcool absorvido é um processo
lento, e
não existem maneiras de acelerar essa eliminação. Por isso é
que todo o cuidado é pouco!
2. Sempre que beber não conduza. Se agora já sabe o que
significa taxa de alcoolémia saiba também que a lei nº 124/90
proíbe que qualquer indivíduo conduza com uma taxa igual ou
superior a 0,5 g/l. E recordo-lhe que se estiver envolvido num
acidente, nestas condições, os seguros ficam libertos de toda e
qualquer responsabilidade - você é quem paga tudo!
Isto não significa, contudo que alcoolémias inferiores a esta
taxa sejam inofensivas.
As bebidas alcoólicas, mesmo tomadas só ocasionalmente e em
pequena dose, são responsáveis por grande número de acidentes
de viação. Provocam modificações nos nervos e músculos, que
diminuem a sensibilidade; diminuição da visão, dificuldade na
compreensão das distâncias e alterações do campo visual. Como
vê tanta coisa! Na maior parte dos casos não dá por elas
senão quando já é tarde demais.
Não se esqueça: o consumo de bebidas alcoólicas aumenta em
muito os riscos de acidentes!
3. Numerosos acidentes de trabalho estão também relacionados
com o consumo de álcool. Mas as consequências do consumo de
álcool no trabalho não ficam por aqui. Aumento do absenteismo,
diminuição da produtividade (há por exemplo no alcoólico
crónico uma diminuição quantitativa da produtividade, e
também qualititativa), instabilidade laboral, agressividade e
conflitos laborais, envelhecimento, reforma e morte prematuros.
4. Se estiver grávida ou a amamentar não deve beber bebidas
alcoólicas. O álcool atravessa facilmente a placenta e circula
da mãe para a criança.
Conforme a quantidade de álcool ingerido, as consequências
podem ser diversas: abortos espontâneos; nascimento da criança
morta; parto prematuro; malformações podendo constituir o
síndroma alcoólico fetal. O sindroma fetal alcoólico,
provocado pelo álcool a que a mãe sujeita a feto durante a
gravidêz, reflete-se em malformações do crâneo e da face da
criança, dos membros, do coração, dos rins, etc., e deficente
crescimento em termos de peso e estatura. É muito mais frequente
do que à partida se pode pensar.
Se deseja um filho com saúde é absolutamente indispensavel que
não ingira bebidas alcoólicas durante a gravidêz. Mesmo em
doses moderadas o risco de anomalias fetais é grande.
5. O leite materno é sem dúvida o melhor alimento para o bebé
por isso, enquanto amamenta, não beba bebidas alcoólicas. O
álcool difunde-se muito bem nos líquidos orgânicos ricos em
água, pelo que se mistura com enorme facilidade no leite
materno, sendo a sua concentração igual à que existe no
sangue.
Não se esqueça, para seu bem e do seu filho:
Enquanto amamentar prefira bebidas saudáveis como a água, o
leite e sumos naturais.
6. Crianças e adolescentes antes dos 17 anos não conseguem
queimar o álcool que ingerem. A mais pequena quantidade de
álcool é suficiente para prejudicar o funcionamento das
capacidades em pleno desenvolvimento, quer em crianças quer em
jovens, como por exemplo a inteligência, a memória, o
raciocínio, a atenção! Da mesma forma os seus orgãos e
estruturas do sistema nervoso central muito mais sensíveis ao
álcool nesta fase da vida.
7. Pais e professores têm um papel a cumprir em tudo isto.
Elucide o seu filho sobre os perigos que advêm do consumo de
álcool e evite beber como modo social de estar, ou estilo de
vida, sobretudo em frente das crianças: elas muitas vêzes
adquirem em jovens os estilos de vida que lhes mostraram durante
a infância.
E não se esqueça: o álcool não aquece, não mata a sede, não
dá força, não ajuda a digestão, não abre o apetite, não é
um medicamento.
Se está a tomar algum medicamento sedativo, calmante hipnótico,
ou psicotrópico, evite o consumo de bebidas alcoólicas. O
álcool, mesmo em pequenas quantidades, aumenta o efeito deste
tipo de medicamentos, aumentando assim o perigo de acidentes de
trabalho, de tráfego, e outros.
8. As ingestões habituais excessivas, de bebidas alcoólicas,
muitas vêzes em pequenas doses mas repetidas ao longo do dia,
vão mantendo uma alcoolização permanente do organismo e uma
situação de intoxicação alcoólica crónica, doença
alcoólica ou alcoolismo crónico. Desta forma existe um efeito
contínuo sobre todos os orgãos do corpo, que provoca graves
alterações, como por exemplo gastrite, úlceras, falta de
apetite, vómitos, cirrose do fígado, sintomas neuro-musculares
(formigueiros, adomercimento dos dedos, cãibras, dores e
cansaço muscular, tremor das mãos), doenças cardiovasculares e
do aparelho respiratório, e também alterações mentais e
psicológicas como sejam dificuldade de raciocínio, perda de
memória, irritabilidade, depressão, delírio alcoólico, etc.
Não se deixe chegar a este ponto e modere o seu consumo de
álcool!
9. Se bebe em demasia, procure o apoio de amigos e familiares e
peça ajuda ao seu médico: ele o ajudará! Às vêzes (quase
sempre) é dificil reconhcer que se é um alcoólico, todavia um
primeiro passo para o tratamento é o reconhecimento de que bebe
em demasia. Decerto que já deu por alguns sinais à sua volta:
conflitos em casa, no trabalho ou com amigos, falta de memória,
dificuldade em concentrar-se, vontade de beber logo pela manhã,
etc., etc..
10. Todos estes conselhos não excluem que indivíduos adultos,
saudáveis, possam dizer sim às bebidas alcoólicas, desde que
em doses moderadas. Um adulto não deve ultrapassar ¼ de litro
de vinho ou duas cervejas repartidas pelas 2 pincipais
refeições, e não deve beber entre as refeições ou em jejum.
A ingestão de bebidas destiladas (aguardente, bagaço, vodka,
wisky, etc) deve ser uma situação excepcional.
Estes são os conselhos do Prof. Fernando de Pádua
Director do INCP e Coordenador Científico do Programa CINDI
Portugal e do
Dr. Augusto Pinto
Director do Centro Regional de Alcoologia de Coimbra
e Coordenador CINDI para a Área do Álcool
com a colaboração da Dra. Lucília Mercês de Melo
ex-Directora do Centro Regional de Alcoologia de Coimbra
e dos Drs. João Breda e Henriqueta Frazão
e da Dra. Isabel Machado
da Direcção do INCP e do CINDI-Portugal
O tabaco é a causa de um número muito
elevado de mortes prematuras no nosso País, como em todo o mundo
aliás.
Milhares de pessoas consomem diariamente muitos milhares de
cigarros, charutos, cachimbos, cigarrilhas. Muitas crianças e
muitos jovens são consumidores de tabaco devido a várias
causas, essencialmente sociais e comportamentais.
O número de fumadores passivos (aqueles que respiram o fumo dos
outros) cresce a par do número de fumadores.
Muitos fumadores, querem deixar de fumar e não conseguem, outros
não querem: outros ainda não tem outra hipotese senão fumar o
tabaco dos colegas de trabalho ou dos familiares que fumam.
Aqui ficam algumas regras que se aplicam a todos:
1. O melhor de tudo é não começar a fumar. Se pensar
"mas, todos os meus colegas fumam", seja diferente,
seja original, e tente que os seus amigos venham a ser também
originais.
2. Pense nas vantagens dos não fumadores: poupam dinheiro (o
tabaco já está caro, mas embora não tanto como devia); têm um
hálito mais fresco,e têm menos constipações; têm mais tempo
de vida; têm menos probabilidades de vir a ter cancro no
pulmão, nos lábios, na laringee ou na orofaringe, e também de
vir a ter alguma doença cardiovascular, ou bronquite crónica e
enfisema, com insuficiência respiratória.
3. Não pense "o tio José sempre fumou e durou até aos 90
anos": isso é a excepção, a regra geral não é assim, o
fumador (ou a fumadora) morre 10 anos mais cedo do que os que
não fumam. Pense se vale a pena arriscar.
4. Nunca é tarde para deixar de fumar. Vale a pena, tem tudo a
ganhar. Tente sózinho, mas se não conseguir peça ajuda.
5. Deixar de fumar é duro e difícil, e alguns recaiem: pode-se
tentar parar várias vezes antes de conseguir parar de vez.
Arranje a vontade e acredite que vai valer a pena o esforço.
6. Não espere por começar a sentir-se mal, ou que o médico o
obrigue. Páre assim que tomar consciência do que é ser
fumador.
7. Ao fumar, pense no mal que isso lhe faz, e pense no mal que
isso faz aos outros, os que não fumam, mas que quando estando
junto de si também inalam o fumo: parentes, amigos, vizinhos,
colegas de trabalho e outros. Esteja particularmente atento às
crianças e às mulheres grávidas.
8. Se está grávida não fume, e convença o pai a não fumar: o
pequeno ser que está dentro de si nem sequer se pode desviar do
fumo que tanto mal lhe faz.
9. Se é fumador passivo tenha a coragem de dizer ao próximo
"Não fume por favor, porque isso me incomoda". O seu
direito a respirar ar puro é muito importante e tem de ser
respeitado.
10. Se é fumador passivo começe a fazer valer os seus direitos:
está a ajudar-se a si, a ajudar os outros não fumadores, e até
ajuda os próprios fumadores, mesmo que eles o não reconheçam.
O TABACO
A RESPONSABILIDADE
DOS MARINHEIROS PORTUGUESES
Ao invocarmos o nosso passado virado para os Oceanos, ao recordarmos o papel que desempenhamos na difusão das culturas, na fusão das raças, na adopção de costumes, no alargamento da Fé e do Império talvez alguns se esqueçam de outros factos de que não nos podemos orgulhar tanto. Naturalmente que neste texto apenas vou falar do que constitui o tema principal: o tabaco!
Na verdade o tabaco veio com os nossos marinheiros, dos
trópicos, para Portugal.
Este costume estranho, de aspirar o fumo e depois de o expulsar
em baforadas cinzento-azuladas, implantou-se em Portugal e
generalizou-se na Corte.
Foi daqui, em meados do Sec. XVI, que um francês, ao tempo
embaixador da França em Portugal na Corte de D. João III, levou
o vício para o seu país.
Chamava-se o embaixador Jean Nicot, e do seu nome derivou a
designação da substância mais agressiva para a saúde,
existente no fumo do tabaco, a nicotina!
Fomos nós os responsáveis pelo tabaquismo na Europa, talvez
este peso de consciência nos obrigue a colaborar na campanha
anti-tabáquica.
Porquê esta campanha?
Escreverei nos próximos textos sobre alguns dos efeitos nocivos
particulares do tabaco, mas agora apenas responderei porque:
- os fumadores têm menos 10 a 20 anos de esperança de vida
- os fumadores envelhecem precocemente
- os fumadores têm menos capacidade de esforço físico
- os fumadores têm menos interesse pelo sexo e menor capacidade
sexual
- os fumadores têm mau-hálito e tosse
- e ainda por cima tudo isto, custa aos fumadores de 1 maço de
cigarros por dia, cerca de 10 contos por mês!
É altura de começar a pensar que é imperioso deitar fora,
definitivamente, os cigarros
pela sua saúde!
Prof. J. Gorjão Clara
Coordenador do Centro de Investigação
do INCP
FUMAR OU NÃO
A
OPÇÃO É DE CADA UM
Quando lemos e ouvimos que em vários países do mundo se
publicam leis contra os fumadores, quando nos locais de trabalho,
restaurantes, lugares públicos, os fumadores são descriminados
e punidos, lembro-me da opinião de um colega e amigo,
infelizmente já falecido, que noutro contexto, dizia que a
"lei da zurzidela" se dava mal com o nosso Povo.
De facto proibir, zurzir, discriminar
é um convite à
revolta, à reacção contrária à que a proibição pretende
impor. Por defeito ou qualidade somos assim.
Bastaria isto para que as campanhas contra o tabaco devessem
evitar a "zurzidela", mas outras razões não menos
importantes como o respeito pela liberdade individual, ou o
paradoxo de não existirem leis rígidas, (ou existirem mas não
serem cumpridas) em relação à poluição maciça, não só do
ar respirável, como de todo o ambiente em que vamos conseguindo
viver, levam-me a considerar que a campanha anti-tabáquica
deverá apenas veicular a informação de como fumar faz mal.
A decisão ficará com cada um!
Por este motivo venho recordar que todos nós nascemos com uma
carga genética que nos marca e que influi muito ou determina
mesmo o aparecimento de várias doenças. A diabetes, a
hipertensão arterial, o excesso de peso
são exemplos
disso. Algumas medidas comportamentais poderão modificar o
início ou gravidade dessas doenças, mas é muito dificil ou
impossível impedir que se manifestem em maior ou menor grau.
O médico ao tratar a diabetes, por exemplo, actua no sentido de
prevenir as conhecidas complicações da doença (insuficiência
renal, baixa de visão, alterações dos nervos periféricos,
doenças do coração, etc.). Na verdade o médico propõe com a
medicação e a dieta, a prevenção possível das complicações
de uma doença impossível de evitar.
Ora bem, a mensagem que quero deixar-lhe meu caro fumador, é que
de todas as doenças as que são mais fáceis de evitar quer no
seu aparecimento, quer no agravamento progressivo que tantas
vêzes arrasta graves incapacidades físicas e intelectuais, são
as doenças provocadas pelo tabaco.
As " doenças do tabaco" são as mais eficazmente
evitáveis de todas as doenças que enchem os tratados de
medicina
porque para tanto é suficiente deixar de fumar!
Prof. J. Gorjão Clara
Coordenador do Centro de
Investigação do INCP
A INTELIGÊNCIA E O
TABACO
Referi-me a Jean Nicot o responsável pelo nome atribuído a uma
das substâncias activas do tabaco: a nicotina.
Mas de facto a nicotina é apenas um dos produtos nefastos para a
saúde, a que se expõe quem fuma ou quem vive na vizinhança dum
fumador. Ao consumir-se, o tabaco produz monóxido de carbono e
alcatrão, que ajudam às suas acções prejudiciais no organismo
humano.
São estes três agentes que provocam a dependência física e
psicológica que se traduz em irritabilidade, redução da
memória, da inteligência, da concentração, da atenção, do
interesse sexual.
Sem fumar, o dependente do tabaco "não funciona" e por
isso atribui erradamente ao tabaco um efeito estimulante, pelo
menos intelectual.
Na realidade ao saturar novamente os receptores das células
cerebrais com nicotina, os sinais de privação do tabaco
desaparecem e é possível recuperar a estabilidade emocional e
voltar a usar as funções intelectuais.
Quero contudo esclarecer que o fumador, ao fumar, por causa do
monóxido de carbono que se produz na combustão do tabaco,
diminui a capacidade do sangue de conduzir oxigénio às
células.
No nosso organismo as células mais sensíveis à diminuição do
fornecimento do oxigénio, são as células do cérebro. Deste
modo se o fumador recupera as capacidades intelectuais, estas
serão muito provavelmente menores do que aquelas de que disporia
se usasse o mesmo cérebro que a natureza lhe deu,
convenientemente oxigenado.
O que lhe quero trasmitir em síntese nesta crónica, é que se
é fumador, poderá aumentar o seu capital intelectual
se
tiver força de vontade para deixar de fumar.
Prof. J. Gorjão Clara
(Coord. do Centro de Investigação do INCP)
O TABACO, A MÃE E O
BEBÉ
Nos últimos 30 anos assistiu-se a uma mudança de hábitos nas
mulheres. Até aos anos 60, fumar, era em comportamento quase
exclusivo do homem. Algumas décadas antes era pouco aceite
socialmente, que uma senhora fumasse.
A partir da década de 70 os homens começaram a fumar menos e as
mulheres passaram a fumar mais. Como seria de esperar a
incidência de algumas doenças aumentou nas mulheres, como o
cancro do pulmão.
Mas o facto de a mulher jovem fumar criou um outro problema que
transcende a fumadora. Refiro-me à mulher que fuma durante a
gravidez. De facto fumar não faz só mal à futura mãe,
tornando-a mais propensa à bronquite crónica, à sinusite, à
dispepsia obrigando-a a tomar remédios potencialmente perigosos
para o desenvolvimento do feto e reduzindo a sua capacidade
física que deve manter-se alta durante toda a gravidez e em
particular no esforço do parto.
A nicotina do sangue da mãe passa ao seu bebé e vai
provocar-lhe alterações conhecidas. Quando a mãe está a fumar
o coração do bebé bate mais depressa e o sangue que o alimenta
e lhe conduz o oxigénio, leva alcatrão, monóxido de carbono e
menos oxigénio. Não se sabe ainda a totalidade dos efeitos que
estes factos provocarão no desenvolvimento psico-motor da
criança e na susceptibilidade futura para determinado tipo de
limitações ou de doenças.
O que se sabe com segurança é que as mães fumadoras têm maior
risco de ver precocemente interrompida a sua gravidez ou de terem
um parto antes do termo.
Sabe-se também que os bebés das fumadoras nascem com menos peso
e que se atrasam no crescimento, se a mãe fumar durante o
período de aleitamento.
É conhecido que algumas doenças alérgicas são mais frequentes
nos filhos das mulheres que fumam durante a gravidez, com o
eczema alérgico.
Também o tabaco parece ser responsável por problemas de
comportamento nos 3 primeiros anos de desenvolvimento da criança
(agressividade, oposição, agitação).
A mensagem desta crónica não será só "não fume pela sua
saúde", mas também
por quem lhe é mais querido: o
seu futuro bebé!
Prof. J. Gorjão Clara
(Coordenador do Centro
de Investigação do INCP)
1 - Convém que saiba que a expressão
"tensão arterial" diz respeito á tensão das paredes
das artérias distendidas pela pressão do sangue que nelas
circula: tensão e pressão tornam-se assim equiparáveis.
Fala-se em pressão arterial "máximo e mínimo" (ou
"sistólica e diastólica") referindo-nos ao valor
alcançadocom a contracção do coração (sístole) e ao valor
baixo, a seguir, quando o músculo cardíaco relaxa (diástole).
2 - Os valores normais para a pressão sistólica (em centimetros
de mercúrio) nos adultos, vão de 10 até 14, e para a
diastolica de 6 a 9, até aos 64 anos de idade. Os valores nas
crianças são mais baixos. Pelo contrário, a partir dos 65 anos
já se consdiera hipertensão arterial 16/9,5 ou mais.
Falamos pois em hipertensão arterial quando os valores da
máxima e da mínima forem14/9 ou mais, até aos 64 anos, ou
16/9,5 ou mais dos 65 anos para cima. Aproximadamente uma vez em
cada 3 pessoas adultas, em Portugal, tem hipertensão.
3 - Convém que se saiba que a hipertensão arterial não se
sente, mede-se! Quer isto dizer que pode estar alta e não se
sentir nada e por outro lado, pode estar nervoso, "sob
tensão", e ter a tensão normal. Meça pois a sua tensão
arterial: se estiver normal óptimo mas volte a verificar a
medição uma vez em cada ano (por exemplo, para não esquecer,
na semana em que faz anos).
É particularmente importante verificar a tensão arterial com
mais frequência se porventura tem na familia outras pessoas com
hipertensão, ou com diabetes, ou que sofrem ou sofreram
precocemente de doença vascular cerebral ou de doença das
artérias coronárias (angina de peito, enfarte do miocardio, ou
morte súbita).
4 - Convém que saiba que (tirando casos especiais e raros, com
tratamento específico - coartação da aorta, doença renal ou
das suprarenais, ou sensibilidade aos anticoncepcionais), o
aparecimento de hipertensão arterial surge na sequência de uma
constelação multifactorial de atitudes, comportamentos e
estilos de vida errados (actuando sobre um fundo genético), os
quais se corrigidos, poderão prevenir o aparecimento de
hipertensão e também de algumas das suas complicações.
· Excesso de peso: procure manter o seu peso, em quilogramas,
abaixo do número de centímetros de altura que tem acima de um
metro - por exemplo 65 Kg se mede 1,65 m (mais científico é
manter o indíce de massa corporal* entre 20 e 25 Kg/m2). Para
reduzir o peso, reduza as gorduras, calorias e doçuras e aumente
as verduras (e passeie todos os dias).
· Excesso de sal (ingerimos 15-25 g por dia quando não deviamos
exceder 5 gramas). Use ervas aromáticas como tempêro: coentros,
hortelã, segurelha, estragão, poejos, oregãos, cominhos,
cebolinho, etc.
· Abusos de álcool (procurar não ingerir mais de 2 dl/dia)
· Sedentarismo (faça pelo menos 30 minutos de actividade
física por dia, por exemplo marcha)
· Excesso de trabalho sob stress, ou outra causa de stress.
· Fumo do tabaco (pare de fumar, já).
5 - Se medir a tensão arterial e ela estiver alta (confirmada em
segunda medição) deve procurar o seu médico para o observar,
vigiar e tratar.
Entretanto procure parar logo de fumar, reduza o sal e o alcool,
não abuse do trabalho, aprenda a relaxar-se, e comece a
controlar o peso e a fazer exercício (marcha a pé diária).
O seu médico provavelmente vai pedir-lhe o estudo das gorduras
ddo sangue (colesterol e triglicéridos) e do açucar (glicémia
em jejum e/ou pós refeição), e iniciará um tratamentp
medicamentoso se as medidas não farmacológicas (a correcção
da dieta, do tabaco, do alcool, do stress se possivel, e o
controlo do peso e aumento da actividade fisica) não tiverem
entretanto trazido a tensão arterial ao normal.)
6 - Convém que farmacológicas saiba que a hipertensão arterial
é uma doença séria com complicações graves, mas saiba
também que há muitos medicamentos para a tratar, de forma a
fazer os valores da tensão máxima e da mínima para os níveis
normais (abaixo de 14/9). Com isso evitará muitas
complicações: a hipertensão arterial não tratada cansa o
nosso coração e leva à sua insuficiência; contribui para a
esclerose das artérias (com ajuda do tabaco, do colesterol LDL e
da diabetes); pode desencadear acidentes vasculares cerebrais ou
ataques cardíacos e pode conduzir à perda gradual da visão ou
á insuficiência renal e urémia.
7 - Todas estas complicações de hipertensão podem ser evitadas
com um tratamento precoce se seguir cuidadosamente os conselhos
do seu médico:
· o tratamento medicamentoso é continuo, (isto é, se o
interromper a tensão volta a subir)
· o tratamento deve ser vigiado e ajustado pelo controlo dos
valores da tensão (mantenha um registo dos seus números,
medidos por exemplo na sua farmácia local, com a frequência que
o médico aconselhar, e volte à consulra se eles saírem fora
dos valores previstos).
· alguns remédios podem provocar ligeiros incómodos, que quase
sempre passam com o tempo - oiça contudo o seu médico, pois que
há sempre outros que podem ser tentados em alternativa.
· acompanhe o tratamento farmacológico com as medidas não
farmacológicas que atraz decrevemos ao falar sobre atitudes,
comportamentos e estilos de vida mais saudáveis (redução do
sal, do peso e do alcool, parar de fumar e aumentar a actividade
fisíca).
Poderão ser necessários mais alguns cuidados se tiver
colesterol a mais ou açucar a mais, no sangue.
8 - No caso de ter tensão alta convém que saiba que é possivel
que algum ou alguns dos seus descedentes (filhos e netos) ou
outros familiares consanguíneos (irmãos, sobrinhos) tenham a
mesma tendência.
Aconselhe-os a medir a tensão arterial e, sobretudo, informe-os
sobre as vantagens das atitudes e comportamentos saudáveis que
lhe recomendámos poderão evitar, no presente ou no futuro, o
aparecimento da hipertensão arterial e de outras doenças
cardiovasculares, e não só.
Na verdade o que aprendeu, e lhes pode transmitir, são estilos
de vida mais saudáveis, recomendamos por múltiplos
especialistas, para prevenção de doenças tão diversas quanto
as do coração e vasos, diabetes, obesidade, algumas doenças
mentais, diversos cancros, cirrose do figado, acidentes de
viação e outros, etc, etc.
9 - Se porventura, para melhor controlo da sua tensão, adquiriu
um aparelho próprio (esfigmomanómetro), disponha-se a gastar
algum do seu tempo livre a ajudar outros (familiares, amigos,
colegas de trabalho, igreja, clubes recreativos, etc),
medindo-lhes a tensão arterial: pode ajudar a descobrir
hipertensos desconhecidos (lembre-se de que é hipertensa um
pessoa em cada três) ou ajudar a vigiar os valores dos
hipertensos que estão em tratamento.
A propósito e a despropósito aproveite para explicar o que sabe
sobre hipertensão arterial, e informe-os sobre todos os
conselhos que atrás referimos, ou dê-lhes a direcção do nosso
Instituto de Cardiologia - será uma óptima colaboração sua
para a promoção da saúde dos seus semelhantes.
10 - Se tem capacidade decisória, ou influência em meios de
comunicação social (boletins, jornais, rádios, televisões)
ajude a difundir as noções que já aprendeu. E, se tiver
possibilidade, ajude por todos os meios a implementar as medidas
que agora já conhece, pois que podem reduzir drasticamente as
mais de 40.000 mortes por ano, só em Portugal, por hipertensão
arterial e outras doenças cardiovasculares com ela relacionadas:
· melhorar a alimentação em cantinas e refeitórios (com
redução de sal e gorduras, e aumento de fruta, cereais e
verduras)
· redução do consumo de tabaco e álcool nos locais de
trabalho.
· criação de oportunidades para actividade fisíca e desporto
em todas as idades (ginásios e campos de jogos nas escolas e nas
empresas, circuitos de manutenção e zonas para pedestres nas
cidades e vilas, pistas para o ciclismo ou piscinas, abertura dos
recintos desportivos á população global e às escolas que os
não tenham!)
Para além do combate ao sedentarismo e á obesidade, ao vício
do fumo ou do álcool, todas estas actividades fisícas serão
também óptimas medidas para reduzir o stress bio-psico-social
na nossa vida de todos os dias.
1. Convém que saiba que a diabetes é
uma doença em que, por metabolismo anormal devido à falta
insulina ou por resistência à sua acção, sobe o açucar no
sangue, aparece na urina e, se não for bem tratada, vem a
complicar-se com lesões cardiovasculares (angina de peito,
enfarte do miocárdio, insuficiência vascular cerebral), dos
vasos da retina (perda de visão, dos nervos (neuropatia
diabética), dos rins (piolonefrite, hipertensão arterial e
esclerose renal) e dos membros inferiores (claudicação
intermitente ou gangrena).
Em diabetes mais graves ou em doentes menos cuidadosos com o seu
tratamento, podem ainda surgir situações de perda de
consciencia (comas acidótico, hipersmolar ou hipoglicémico).
2. Convém também saber que há três tipos diferentes de
diabetes:
a) diabetes insulino-dependente, de causa ainda mal conhecida, e
de diagnóstico clínico laboratorial, que aparece em idades
jovens, e obriga a tratamento constante com insulina: exige o
acompanhamento por médico competente nesta disciplina, mas uma
vez o doente educado, ele pode aprender a controlar a sau
doença, auto-analizar-se, evitar a maior parte dos riscos, e
fazer uma vida quase normal.
b) diabetes não insulino-dependente, que aparece no adulto, via
de regra depois dos 40 anos, com causas múltiplas favorecedoras
que são conhecidas, e que por isso permitem fazer a sua
prevenção, felizmente com estilos de vida e atitudes e
comportamentos semelhantes aos que recomendamos para as doenças
cardiovasculares***, que aliás frequentemente acompanham:
· evitar obesidade
· aumentar a actividade fisica
· reduzir a quantidade de gorduras, e de açucar
· reduzir a ingestão de sal
· não fumar!
O diagnóstico faz-se pela verificação do aumento do açucar no
sangue (glicémia) ou aparecimento na urina (glicosúria em
analises ocasionais pedidas pelo médico, ou, mais precocemente,
se incluirmos as analises de glicémia e/ou glicémia pós
pradial no check-up obrigatório em familiares de diabéticos ou
em doentes cardiovasculares ou em pessoas com colesterol ou
triglicéridos elevados.
Numa fase inicial da doença pode só haver "tolerância
diminuida à glicose" sem hiperglicémia nem glicosúria.
c) a diabetes gestacional que pdoe surgir na gravidez mas que
frequentemente desaparece depois. Exige todavia tratamento
especial, mantendo alguma vigilância depois do parto.
3. A prevenção primária da diabetes do adulto faz-se através
de uma alimentação inteligente*, de uma vida com actividade
fisica diária**, e da manutenção de um peso normal, dentro dos
estilos de vida já recomendados para a prevenção das doenças
cardiovasculares***.
4. A prevenção das complicações na diabetes já estabelecida
(do jovem ou do adulto) implica a obediência aos conselhos
anteriores e detecção precoce de doenças cardiovasculares por
história e exame clínico (tensão arterial, pulsos
periféricos, Rx Torax, Electrocardiograma e eventualmente outros
exames cardiológicos, pois não é raro ter doença
"silenciosa" )e ainda:
· detecção precoce de lesões da retina por oftalmologista
· detecção precoce de lesões neurológicas por neurologista
· detecção precoce de lesões renais por controlo frequente da
tensão arterial e do sedimento renal e de pesquisa de
micro-albuminúria.
5. Depois de todas estas informações sobre os perigos da
diabetes e as suas complicações é importante acentuar duas
coisas:
Primeira: a diabetes bem tratada, com a ajuda do próprio
paciente, permite fazer uma vida que de resto será quase normal.
Segunda: as medidas de prevenção e os estilos de vida
aconselhados para a diabetes do adulto, não só melhoram
grandemente (pode até regredir) como, se associados a um
tratamento correcto da própria diabetes (dieta, exercício e, se
indicado, anti-diabéticos orais ou injectáveis), poderão
evitar o aparecimento das inúmeras complicações de que
falámos.
6. É importante insistir em que o valor de glicémia pode e deve
ser analizado em exames de rotina, anuais ou bi-anuais, mas é
mandatório fazê-lo (tal como a análise da glicémia após a
refeição, ou uma prova de tolerância oral à glicose) em todos
os familiares e diabéticos.
Do mesmo modo convirá fazê-lo em todos os doentes coronários
ou com insuficiência vascular cerebral, sobretudo se hipertensos
ou obesos, e em todas as pessoas com hipercolesterolémia,
hipertrigliceridémia ou hiperuricémia.
_______________________________________
*ver conselhos sobre alimentação
**ver conselhos sobre actividade física
***ver conselhos sobre doenças cardiovasculares
7. As doentes que apresentam diabetes durante a gravidez (fazer
prova de tolerância oral à glicémia no 6º, ou no 7º mês)
devem continuar a ser vigiadas depois do parto, uma vêz que pode
persistir, tanto na mãe como na criança, pelo menos uma certa
intolerância à glicose.
8. Todos os médicos (clínicos gerais/médicos de família, ou
especialistas) devem manter um registo dos seus doentes
diabéticos, de acordo com as normas da Declaração de S.
Vincent, obrigando-se a um acompanhamento periódico que pode
implicar mesmo a sua chamada.
9. É aconselhavel que todo o doente diabético siga aulas de
educação, não só para a saúde mas também (e não menos
importante, senão mais) aulas de educação sobre diabetes, sua
terapêutica, auto-controlo dos seus parâmetros biológicos e
das necessidades nutritivas, e atempado reconhecimento das
emergências (notadamente hipoglicémia) e do modo de lidar com
elas.
10. Tendo em conta a gravidade da doença e a importância que
tem o aprender a tomar conta dela, aconselho veementemente todas
as pessoas com diabetes (ou mesmo simples intolerância à
glicose) a juntarem-se a organizações de apoio a diabéticos,
ou a criarem, onde quer que vivam, grupos de entre-ajuda.
1. Saiba que o colesterol - substância
normalmente existente no sangue -
- pode condicionar, ao longo dos anos e quando em valores
elevados, o aparecimento de aterosclerose: o tipo de
ateriosclerose que facilita a obstrução das artérias.
Este perigo do colesterol total elevado deriva essencialmente da
sua fracção LDL ("low density lipoproteins") enquanto
a fração HDL (high density lipoproteins) funciona como
protectora. Quanto mais alto o colesterol total e a fracção LDL
pior, e quanto mais elevado o HDL melhor.
2. Saiba que os níveis de colesterol sobem gradualmente com a
idade e dependem de muitos factores, uns genéticos (por exemplo
hipercolesterolémia familiar), outros derivados do nosso estilo
de vida (alimentação, sedentarismo, stress, etc.) e é sobre
estes últimos que podemos facilmente actuar - os erros
alimentares, o uso de tabaco, o abuso do álcool, a falta de
exercício físico, o stress, a obesidade, a hipertensão
arterial, a diabetes, devem ser corrigidos ou tratados
medicamente.
3. Todos nós, adultos devemos procurar saber o valor do nosso
colesterol no sangue:
Saiba o seu número!
· se for normal (< 200 mg) só repetir em novo check-up
(após 4 ou 5 anos)
· entre 200 e 240 adopte uma «alimentação saudável e
inteligente»* e repita a análise dentro de 6 meses, falando com
o seu médico
· se for menor do que 150 também deverá ouvir o seu médico
(possibilidade de doença oculta?).
4. A necessidade de conhecer o valor do colesterol no sangue é
mais imperiosa (incluíndo crianças) no caso de familiares com
grave hipercolesterolémia, reconhecida ou com manifestações
cutâneas suspeitas (xantelasmas ou xantomas, isto é,
acumulações de colesterol sob a pele, por exemplo junto às
palpebras ou nos cotovelos) ou com antecedentes familiares de
doença ou morte precoce por patologia aterosclerótica (doença
cerebrovascular, doença das coronárias, isquémia dos membros
inferiores).
5. Devem também vigiar o seu próprio colesterol todos os
fumadores e os doentes com hipertensão arterial, diabetes ou
tolerância diminuída à glicose, bem como as mulheres com
menopausa precoce**.
6. A principal arma para combater o aumento de colesterol é a
alimentação*.
Uma alimentação correcta, saudável e inteligente implica:
· redução da quantidade total de gorduras
· redução mais acentuada das gorduras ditas
"saturadas" (gorduras de cardne, manteiga, queijo ou
leite gordo, ovos, miolos e vísceras, gorduras vegetais com
preparação industrial que as torna duras, etc.)
· preferir gorduras vegetais, que são mono ou poli-insaturadas
(azeite e outros óleos vegetais como milho, girassol, soja,
graínha de uva) ou de peixe (também mono-insaturadas)
· preferir carnes brancas (de aves, por exemplo, tirando-lhes a
pele)
· aumentar o consumo de peixe
· aumentar o consumo de vegetais: sopa de hortaliças, legumes,
saladas, fruta
· aumentar o consumo de cereais (pão de segunda ou preparados
ricos em fibras).
7. Contribuem também para reduzir os efeitos do colesterol
aumentado a correcção de atitudes e comportamentos de risco, e
de alguns factores biológicos.
· parar de fumar
· reduzir a obesidade, se possível para o peso normal (não
exceder em Kgs os centímetros acima do metro, ou mais
científicamente, índice de massa corporal entre 20 e
25Kg/m2***)
· tratar a hipertensão
· vigiar a glicémia e/ou tratar a diabetes
· controlar a hipertrigliceridémia
· reduzir o stress
· combater o sedentarismo (maior actividade física diária e/ou
desporto).
*ver conselhos sobre alimentação
**ouvir o seu médico sobre terapêutica hormonal
***IMC= Peso (em quilogramas)
altura2 (em metros)
8. O tratamento da hipercolesterolémia depende, na maioria dos
casos, da dieta (que baixa o colesterol LDL - o "mau")
do exercício (que faz subir o colesterol HDL - o
"bom") e do controlo dos outros factores que, para
níveis iguais de colesterol, agravam os seus efeitos:
· Tabaco
· Hipertensão arterial
· Hipertrofia ventricular esquerda no ECG
· Diabetes ou intolerâcia à glicose
· Hipertrigliceridémia
· Obesidade
9. Quando a hipercolesterolémia não normaliza com uma dieta
apropriada mais rigorosa (em termos de gorduras saturadas e de
colesterol ingeridos) pode impôr-se terapêutica farmacológica
(são vários os medicamentos activos), cuja responsabilidade e
orientação caberão sempre ao seu médico assistente.
10. De notar que todas as recomendações que atrás fizemos para
prevenir ou reduzir a hipercolesterolémia se tornam
particularmente importantes e mesmo obrigatórias se se tratar de
pessoas que já tiveram qualquer manifestação clínica de:
· insuficiência vascular cerebral (isquémia transitória ou
mesmo trombose ou hemorragia cerebral)
· insuficiência coronária (angina de peito, enfarte ou morte
súbita)
· insuficiência arterial periférica (vasos do pescoço,
membros ou outros territórios vasculares).
Estes são os conselhos do Prof. Fernando de Pádua
Director do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva
e Coordenador Científico do Programa CINDI-Portugal
O ritmo de a que estamos sujeitos nos nossos dias é verdadeiramente assutador. Deixa-nos tão pouco tempo livre… As corridas diárias para os transportes públicos, as bichas do trânsito, as lutas no emprego, humilhaões, frustações, contrariedades, o sentimento de ser dominado, a solidão, um fracasso matrimonial, a morte de alguém mais chegado, as dificuldades financeiras, e enfim as loucuras do quotidiano, actuam em nós como escopro e martelo, arrasando as nossas defesas fisícas e psiquicas. É isso o "stress"! Que fazer perante esta roda viva atribulante? Eis algumas sugestões: 1. Procure entender o que lhe cause "stress", ou seja, a que é que é mais particularmente sensível. Só reconhecendo conscientemente o que mais o afecta pode tentar evitá-lo, ou conseguir ajudas e construit defesas. Prevenir as situações dificies inúteis. Reacções ou decisões "a quente" tendem a ser precipitadas e… demasiado "stressantes". 2. Arranje algum tempo para si, seja você mesmo. Diariamente, semanalmente ou mensalmente, conforme o que parecer mais vantajoso, dentro das suas possibilidades, guarde algum tempo, pouco que seka, para se conhecer a si próprio e pensar ma sua vida. Seja você mesmo: não se deixe levar pelas imagens de personalidade de sucesso, e não se deixe tentar a fazer uma comparação constante com os outros: valorize o que há de positivo em si. 3. Procure realizar os seus objectivos, mas avalie as suas possibilidades ou dificuldades: não exija de si o que não pode dar, nem deixe que outros o exijam. Tente diversificar as suas actividades: isso será estimulante para si e ajuda-lo-á a ultrapassar e a contornar os obstáculos, em vez de se deixar enrolar por eles. Reconheça os seus limites e não hesite em pedir ajuda concreta, quando em stress excessivo, à sua rede de amigos, às redes de apoio comunitário, ao seu médico de familia, ou mesmo a um especialista. 4. Não reprima os seus sentimentos, emoções ou opiniões. Não guarde raiva nem rancor. E não deixe os seus problemas em suspenso: procure resolvê-los. Não os leve dias seguidos para a cama, pensando que a almofada é boa conselhira: resolva-os antes de se deitar, e não hesite em procurar um ombro amigo onde encostar a cabeça! 5. Procure gerir o seu tempo e saiba aquilo que tem de enfrentar diariamente, se não conseguir prevenir ou evitar as situações que lhe causam stress, e de modo algum pense acabar totalmente com ele! Um pouco de stress e emoção parecem ser essenciais nesta vida e sem eles tudo seria demasiado cinzento ou não andava. Por outro lado, "tudo o que é demais não presta", como diz o nosso povo. 6. Pare e reflta se começar a sentir-se irritado ou fatigado quando acorda, se tem insónias ou ansiedade: interrogue-se sobre o seu estilo de vida, e o que pode fazer para o corrigir. Um bom conselho: use o seu sentido de humor face a determinadas contrariedades. 7. Aprenda a quebrar a tensão recorrendo à melhor "pilula anti-stress": actividade fisíca diária, pelo menos um pequeno passeio a pé, ou ginástica ou desporto (ténis, volley, ciclismo, natação) para, numa palavra, espairecer. 8. Não se esqueça de que um dos perigos do stress está em facilitar acidentes, de toda e qualquer espécie (no trabalho ou no lazer, no desporto ou na condução), ou mesmo violência. 9. Coma devagar uma alimentação equilibrada. É importante que esteja bem alimentado, sem excessos. É importante que pare para comer, e, se possível, faça um pequeno passeio a seguir. 10. Os Centros de Convívio ou de Acolhimento, de Igrejas, de Autarquias ou de ONGs, representam ajuda importante para o combate ao isolamento, e ajuda para vencer o stress e a angústia que se lhe associam. Isto sem esquecer os seus amigos e familiares. Eles são da maior importância, dar-lhe-ão apoio e pequenas recompensas, por palavras ou por gestos. Fortaleça todas as relações.
. Saiba que as doenças cardiovasculares
mais frequentes, hoje em dia, são as relacionadas com a
ateriosclerose mais grave porque condiciona a progressiva
obstrução das artérias com placas de ateroma-lesões ricas em
colesterol que infiltram as paredes das artérias e vão
progressivamente prejudicando a passagem de sangue, ou a impedem
bruscamente (p.expl. por formação de um coágulo na sua
superfície ulcerada ou hemorragia no seu interior).
É esta forma de aterosclerose que hoje preocupa todos nós em
todo o mundo, pois se tornou uma verdadeira pandemia, isto é,
espalhou-se como uma epidemia por todo o planeta.
2. As consequências mais importantes verificam-se ao nível do
cérebro: (doenças ceebrovasculares: acidente isquémico
transitório, trombose ou hemorragia cerebral), das artérias do
coração (angina de peito, enfarte do miocárdio, morte
súbita), dos membros inferiores (claudicação intermitente ou
gangrena), das artérias renais (insuficiência renal, ou
hipertensão secundária), das artérias do pénis (impotência),
ou das artérias que irrigam o intestino (angina abdominal ou
necrose da mesentérica).
3. Convém que conheça todas estas doenças porque elas são
reais. Algumas representam mesmo as principais causas de morte (e
sofrimento), tantas vêzes precoce, entre os portugueses: mais de
vinte e cinco mil morrem por ano de doença cerebrovascular e de
doze a quinze mil de doença aterosclerótica das artérias do
coração (as que chamamos artérias coronárias). Mas ao mesmo
tempo quero que conheça uma máxima que aprendi há quase
cinquenta anos, com o meu mestre Paul White, nos Estados Unidos:
adoecer ou morrer do coração, antes dos oitenta, é culpa do
homem e não de Deus ou da Natureza!
4. Convém pois que saiba que esta frase quer dizer que são
doenças reais, mais evitáveis. Pode e deve evitar a
aterosclerose das suas artérias, só de si depende assumir,
desde cedo, a correcção de atitudes e comportamentos errados,
ou estilos de vida menos saudáveis que a chamada civilização
ocidental trouxe consigo. São estes que, somando-se ou
potenciando-se entre si, levam ao aparecimento e progressão
lenta e gradual das lesões ateroscleróticas, até que -
passadas décadas - aparecem, como que inesperadamente, as
doenças clínicas.
A prevenção é pois multifactorial, isto é, deve dirigir-se
aos múltiplos factores de risco da doença aterosclerótica e
deve começar muito cedo, tão cedo que costumamos afirmar que a
aterosclerose é uma doença pediátrica (de facto já na
infância se podem observar as primeiras lesões que queremos
prevenir, embora a doença só se venha a manifestar na idade
adulta).
5. Saiba quais as atitudes e comportamentos que actualmente se
consideram mais importantes para modificar, e quais os factores
de risco que pensamos deve tentar corrigir:
Tabaco - não comece a fumar e se já fuma, pare, quanto mais
depressa melhor (recorrendo a ajuda, médica se necessário) e
não fume passivamente (o fumo dos outros
)
Hipertensão arterial - reduza o sal da alimentação, o álcool
(não mais que 2 dl/dia) e o peso, como profilaxia da
hipertensão (veja os nossos conselhos sobre hipertensão) -
Meça a tensão arterial e procure o médico se ela for 14/9 ou
mais.
Erros alimentares - Controle o seu peso (evite pesar mais que o
número de centimetros que tem acima de 1 metro: p. expl. Se mede
1,65m procure ficar abaixo dos 65 Kg. Todavia é mais científico
dizer-lhe que mantenha o índice de massa corporal* entre 20 e 25
Kg/m2 :
n coma menos gorduras (sobretudo gorduras ditas saturadas) e
menos doçuras (sobretudo açucar refinado)
n aumente as frutas e as verduras: legumes, saladas, pão de
segunda, cereais
n reduza o sal (para menos 5 g por dia - habitualmente usamos 15
a 25 g) e o álcool (não mais de 2
dl/dia).
*o IMC calcula-se dividindo o peso pela altura elevada ao
quadrado IMC= PESO (em Kilogramas)
ALTURA2 (em metros)
Colesterol - saiba o seu valor de colesterol no sangue e, se for
acima de 200 mg determine também as suas fracções LDL e HDL
(low density lipoproteins e high density lipoproteins). É o
colesterol LDL que é prejudicial, enquanto o HDL é benéfico e
de certo modo contraria os efeitos do anterior (leia os nossos
conselhos sobre o colesterol):
- reduza a ingestão de gorduras saturadas e de colesterol
(manteiga, leite e queijos gordos, ovos, gordura da carne)
substituindo-as por gorduras não saturadas: azeite, óleos
vegetais, margarinas moles, peixe e carnes brancas.
Diabetes - controle o valor do açucar no sangue, e se não for
normal, procure o seu médico.
Triglicéridos - faça também esta análise e fale depois com o
seu médico. Se estiverem altos deverá reduzir o peso, as
calorias alimentares e o álcool e aumentar o exercício.
Stress - leia os nossos conselhos sobre stress, mas lembre-se de
que não há melhor pílula calmante do que um bom passeio a pé:
aprenda a relaxar e a ter intervalos livres (no dia, na semana,
no ano) e cultive com cuidado as suas amizades!
Sedentarismo - de todos os erros atrás citados a falta de
actividade física é talvez o mais frequente, quando é afinal o
mais fácil de corrigir:
- faça uma pequena marcha a pé todos os dias (de 15 + 15
minutos)
- habitue-se desde criança a uma vida desportiva ( e mantenha-a
para toda a vida)
- aproveite todas as ocasiões para continuar activo
(deslocações a pé, subir escadas, saltar à corda, ginástica,
natação, dança, jardinagem, etc.)
- volte a fazer desporto se porventura parou (oiça primeiro o
seu médico, se já passaram alguns anos
).
6. Convém que saiba que todos estes cuidados são os mais
prementes, começando o mais cedo possível se algum dos seus
progenitores, ou outro familiar próximo, tem ou teve doença
cardio ou cerebrovascular precoce, ou morte súbita.
No caso de ter alguma ou algumas alterações (fumo,
hipertensão, colesterol elevado ou triglicéridos, diabetes,
obesidade, sedentarismo, stress) é previsível que, por
hereditariedade ou por estilo de vida comum, possam aparecer
nalgum dos seus filhos. Convém informá-los sobre este problema
dos estilos de vida (a troca de impressões é favorável a
todos, pois ajuda às boas decisões) e repetir neles pelo menos
os exames que em si estejam alterados.
Por último convém que saiba que, inversamente, se alguma destas
alterações for encontrada num filho seu, por exemplo
hipertensão, colesterol elevado, triglicéridos ou
hiperglicémia, ambos os pais devem fazer exame.
7. Por informação deficiente sobre as atitudes e comportamentos
errados, ou sobre promoção da saúde através da adopção de
estilos de vida mais saudáveis:
- ou porque faltou a vontade, ou a possibilidade, de seguir
alguns dos conselhos
- ou porque os condicionalismos genéticos foram mais fortes,
muitas pessoas poderão adoecer do coração antes dos oitenta!
Sem o querer sugestionar dou-lhe mais alguns conselhos:
- a hipertensão não se sente, mede-se: meça a tensão aterial
- o colesterol ou o açucar não se sentem, medem-se: analise-os
- do fumo, do álcool ou do stress cada um sabe de si: decida-se,
ou confie-se ao seu médico
- a angina de peito sente-se como uma dor, peso ou aperto a meio
do peito, que surge ao andar ou subir, sobretudo se faz frio,
comeu ou fumou, e melhora logo que pára ou põe nitroglicerina
sob a língua - procure o seu médico! Saiba todavia que a maior
parte das "dores do coração", sobretudo no lado
esquerdo do peito, são só de origem nervosa
- o enfarte do miocárdio provoca dor semelhante à da angina,
mas mais intensa, com angústia mortal, aplidez, sudação e por
vêzes nauseas e vómitos: dirija-se de imediato a um Serviço de
Urgência, enquanto a família informa o seu médico
- se experimentar tonturas, perda súbita de visão, falta de
força nos membros (sobretudo se é hipertenso), tome ½
comprimido de aspirina e procure logo o seu médico.
8. Para completar as nossas informações e conselhos sobre
doenças cardiovasculares, quero que saiba que as doenças
cardíacas de aparecimento mais precoce são as doenças
congénitas do coração, em consequência da malformação dos
cromossoma, doenças da mãe durante a gestação (rubéola,
toxoplasmose) ou efeitos de radiações ou outros agentes
nocivos.
Toda a mulher que pensa engravidar deve ouvir os conselhos do seu
médico, e do seu obstetra, sobre aqueles e outros perigos menos
bem conhecidos: tabaco ou alcoolismo da mãe ou do pai, alguns
medicamentos e algumas profissões.
A vigilância durante a gravidez pode permitir identificar
precocemente alguns defeitos graves, interromper a gravidez, ou
até tratá-los "in utero". Vale a pena saber que são
situações muito raras e que, felizmente, quase todas são
corrigiveis na infância com terapêuticas já muito variadas.
9. É grato poder dizer-lhe que as doenças cardíacas mais
frequentes nos tempos de minha juventude - doença mitral ou
aórtica, reumatismais, e a insuficiência aórtica sifilítica
(as lesões valvulares do coração, ouvidas como um sopro na
auscultação) já quase desapareceram, graças sobretudo à
penincilina: com ela e com as melhores condições
socio-económicas desapareceram as amigdalites causadas pelo
estreptococo A, e cura-se precocemente a sífilis.
A prevenção das lesões valvulares nessas doenças, reside no
tratamento imediato de qualquer delas, com as doses de
antibióticos requeridas e pelo tempo necessário, como o seu
médico. Consulte-o em caso de amigdalite grave, ou de
"cancro duro", na boca ou genital.
10. A finalizar quero informá-lo de que as lesões de natureza
congénita, as lesões valvulares de alguns adultos que tiveram
febre reumática na infância, ou p. expl. alguns prolapsos da
válvula mitral, constituem locais de menor resistência a
infecções com microorganismos que podem entrar para o sangue ao
fazer um tratamento cirúrgico dentário ou a abrir um abcesso ou
qualquer outra intervenção em terreno infectado (urológico,
ginecológico, inclusivé dar à luz uma criança). Como a
infecção pode entrar directamente pelos vasos sanguíneos
lesados, será sempre útil relembrar a existência da sua
doença, para lhe ser administrado previamente o antibiótico que
evitará o aparecimento de endocardite infecciosa. Se o seu
médico já lhe passou uma receita para essas ocasiões, não a
esqueça!
A situação mais grave hoje em dia é a dos toxicómanos que se
injectam com seringas não esterilizadas ou já infectadas, quase
sempre com bactérias mais resistentes (ou, muito pior,
contaminadas com o vírus da Sida!)
Vale mais prevenir do que remediar, diz o nosso povo, com
sabedoria milenar!
Estes são os conselhos do Prof. Fernando de Pádua
Director do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva
e Coordenador Científico do Programa CINDI-Portugal
Nós somos o que comemos (e em boa verdade também o que bebemos
- e isso em Portugal é muito importante*) A falta de iodo, ou de
ferro, ou de cálcio, ou de algumas vitaminas pode provocar
doenças. Todavia, nas sociedades modernas, da chamada
civilização ocidental, o excesso de comida (como de bebida)
associando-se à vida sedentária provoca obesidade, enche as
artérias de gordura, provoca hipertensão, aterosclerose e
outras doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, quando não
facilitam por exemplo a diabetes, ou certos cancros**. Comer bem
não é comer muito, é comer de forma inteligente e saudável.
Siga os nossos conselhos:
1 - Reduza o sal
Constantemente acrescentamos sal á comida preparada: na água
que ferve para fazer a sopa, ou sobre os alimentos no prato, ou
no fabrico do pão, porque temos sal e nos aacostumámos ao sabor
do sal com o bacalhau, os enchidos, o presunto, salmoura,
salgadinhos, etc.. Ingerimos cerca de 20g/dia quando o
recomendado é menos de 5 g/dia!
Este sal em excesso facilita o aparecimento de hipertensão
arterial (sobreutdo se essa tendência existe na familia) ou
agrava-a quando já existe, e contraria o efeito dos medicamentos
hipotensores. Contribui também para a falta de ar (dispneia) e
para os edemas (inchaço das pernas ou do abdómen) de alguns
doentes do coração. Para não estranhar muito o sabor, e
também a familia não protestar, deve reduzir a quantidade de
sal por dia, de forma gradual, semana a semana, ao longo de um ou
dois meses - deste modo será mais fácil a adaptação ao novo
sabor. Aliás, havendo tantos tempêros bons em Portugal porquê
recorrer áquele que faz mal ao coração? Faça experiências
culinárias não usando sal e adicionando ervas aromáticas,
especiarias ou frutos: coentros, hortelã, poejos, alecrim,
estragão, noz moscada, mostarda ou pickles preparadas em casa,
limão, vinagre, fatias de laranja ou de ananás, cerejas,
pimenta, acafrão, cebolinho, caril, piri-piri, eu sei cá!
2 - Reduza o álcool (vinho, cerveja, "bebidas brancas"
ou "licores")
com que pretende acompanhar as refeições "abrir o
apetite" ou "facilitar a digestão".
O álcool também ajuda á elevação da tensão (inibe um
"factor relaxante" nas paredes das artérias) e
favorece o cancro do esófago e da orofaringe, para além de
facilitar acidentes (na condução ou no trabalho),violência e
até homicídios. Contribui para a obesidade (pelas calorias),
causa cirrose do figado e até doenças mentais, tanto nos que
bebem como nos futuros filhos.
Se bebe habitualmente ás refeições, o conselho é não beber
mais que 2 dl de vinho por dia.
3 - Aumente a ingestão de vegetais: verduras, cereais, legumes e
fruta. Os alimentos vegetais são ricos em vitaminas e sais
minerais (incluindo algumas que são antioxidantes e altamente
benéficas para a saúde), contêm muito menos calorias por grama
(pelo que ajudam a controlar o peso), melhoram as funções
intestinais (evitando obstipação, diverticulite, apêndicite,
cancro do cólon) e reduzem parcialmente a absorção de
colesterol.
Enriquecemos as refeições em variedadee sabor, e fornecemos
alimentos nutritivos e vitaminas antioxidantes (ajudando à boa
saúde e a estar em boa forma) se usarmos os vegetais sob a forma
de sopa, ou e saladas, comermos mais pão de segunda (têm muita
fibra), ou cereais ao pequeno almoço, e se o terceiro componente
do prato principal for "verde" (carne com batatas e
esparregado, peixe com arroz e feijão verde, etc.), e ainda
comer fruta á sobremesa.
Se precisa de emagrecer coma cereais pela manhã, um prato de
sopa de legumes meia hora antes de iniciar as refeições, coma
salada entre a sopa e o prato, e use sempre fruta em vez de doce.
4 - Reduza as gorduras, sobretudo as "saturadas", isto
é as gorduras da carne (retire-as ou use carnes magras), o
toucinho, a manteiga, o leite ou o queijo gordo, os ovos, os
molhos, os fritos, etc: as gorduras são os alimentos mais ricos
em calorias (pelo que favorecem a obesidade e a hipertensão) e
também são as mais perigosas em fazer subir o colesterol.
Prefira carnes brancas (frango ou peru, retirando a pele),
gorduras e óleos de natureza vegetal (azeite, milho, girassol,
soja, que são gorduras mono ou poli-insaturadas), e prefira as
margarinas moles (porque as duras são alteradas pela
industrialização). A fritura também altera - para mal - as
gorduras, quer por temperatura excessiva, quer por uso excessivo
(não fritar mais de três vezes com a mesma gordura). Prefira
alimentos cozidos, grelhados ou preparados no forno de
micro-ondas.
A gordura do peixe é também insaturada, portanto mais saudável
- aliás deve comer peixe pelo menos três vezes por semana.
Reduza ainda outros alimentos ricos em gordura tais como
salsichas, fiambre, presunto, "mayonnaise", batatas
fritas, chocolate.
Recordo que "gordura é sempre gordura" e portanto o
excesso engorda sempre. Elas são necessárias, facilitam a
absorção de vitaminas A, D, E, e K, mas contudo, em excesso,
mesmo as gorduras consideradas "boas" ajudam a subir o
peso, o colesterol e a tensão arterial e parecem facilitar
alguns cancros.
5 - Aumente o consumo de leite (meio litro por dia) pelo seu
valor nutritivo e pela riqueza em cálcio (fortificando os ossos
e prevenindo a osteoporose). Recorde todavia o que dissemos sober
gorduras: prefira leite magro, yogurtes magros, queijos magros!
6 - Reduza o consumo de açucar puro, notadamente como adoçante,
no chá, café. Refrescos, bolos, chocolates ou rebuçados.
Habitue-se ao sabor natural dos alimentos e das bebidas, e se
usar substitutos do açucar, faça por variar. Se é desportista
e precisa de mais calorias use então hidratos de carbonos
complexos: batatas, arroz, farinhas, massas e pão de segunda.
7 - Saiba que a alimentação correcta e equilibrada - chamo-lhe
"alimentação inteligente" - não só promove a saúde
e o bem estar como, concretamente, ajuda a evitar também várias
outras doenças:
OBESIDADE - reduza as calorias totais, as gorduras e os
açucares, e aumente o exercicío.
HIPERTENSÃO - reduza o sal, controle a obesidade e não abuse do
café.
HIPERCOLESTEROLÉMIA E ATEROSCLEROSE - (coronária, cerebral, dos
membros, etc.): controle a obesidade e a hipertensão, e dê
especial atenção a evitar alimentos ricos em colesterol
(gorduras animais, produtos lácteos gordos, ovos, miolos, etc) e
a aumentar o consumo de fibras vegetais e anti-oxidantes
(legumes, frutas, cereais). Evite o tabaco no final das
refeições: aproveite para dar um pequeno passeio a pé!
DIABETES - reduza o consumo de hidratos de carbono
(particularmente açucar e confeitaria) e controle a obesidade.
CANCROS - reduza o sal (estomâgo), o álcool (esófago e
orófaringe) e as gorduras (seio, colonom recto, útero e
ovários) e aumente as fibras vegetais (colon, recto, seio)
OSTEOPOROSE - aumente a actividade física e a ingestão de
produtos lácteos magros (o mais importante é o conteúdo em
cálcuo, acompanhado com vitamina D) e reduza o café, o álcool,
e o tabaco!
8 - Se o problema do valor calórico de dieta é muito importante
para si por ser obeso, diabético ou doente do coração, ou por
ter colesterol, glicémia ou triglicéridos elevados, ou ainda se
é doente renal, habitue-se a calcular o valor calórico das suas
refeições (e as exigências da sua actividade física) e
procure (exija!) que os alimentos comercializados incluam
etiquetas que informem sobre a composição em calorias, gorduras
(e a sua natureza), hidratos de carbono, proteinas, vitaminas e
sais minerais (sobretudo sódio mas também cálcio, ferro, etc.)
Segundo as recomendações geralmente aceites, a gordura diária
não deve execeder 30% das calorias da nossa dieta (as saturadas
menos que 10% e o colesterol diário não deve exceder 300 mg (o
valor de um ovo).
Há muitas tabelas com indicação das calorias presentes em cada
tipo de alimentos, e a energia aproximada que se gosta em cada
tipo de actividade, mas, em termos genéricos, direi que precisa
sobretudo de saber que o equilibrio dieta/exercício deve
permitir manter um peso em quilos igual ou menor que o número de
entímetros acima do metro (<=60 Kg para 1,60 m) ou um indice
de massa corporal entre 20 e 25 Kg/m2 (dividir o peso em
kilogramas pelo quadrado da altura em metros, isto é, por
exemplo 60 = 60 = 23,4Kg/m2
1,60 2,56
9 - Se é obrigado a pensar em termos económicos, vale a pena
saber que, para além de a longo prazo a alimentação
inteligente ser muito mais rentável por o manter e aos seus em
vida e de boa saúde, com capacidade de trabalho, a verdade é
que os principios dietéticos que aconselhamos - e que a
Organização Mundial de Saúde recomenda - podem ser seguidos
sem aumentar despesas: muitos vegetaus e saladas, fruta todos os
dias, pão de segunda, batatas, cereais e verduras em todas as
refeições, carne e produtos lácteos com moderação (magros!),
peixe e muito pouco sal, alcool, molhos ou doces.
Acresce, no que respeita aos alimentos comercializados, que o
aumento da procura pode implicar maior produção e consequente
baixa de preços. O consumidor, mesmo sem o saber, tem grande
importancia nas orientações do mercado.
10 - Repetindo que nós somos o que comemos, o meu últimos
conselho é mais um apelo: peço a todos os mais directamente
responsáveis pela alimentação de terceiras pessoas, grupos ou
familias, para que contribuam, com pequenas, mas graduais e
progressivas, transformações, para que a alimentação de todos
se torne mais saudável: a sua vida está nas nossas mãos!
Mães - Habitualmente as mais responsáveis pela qualidade,
quantidade e periodicidade das refeições familiares.
Cozinheiros(as) - em hoteis, pensões, residenciais ou
particulares.
Responsáveis por cantinas e refeitorios mas escolas, quarteis,
empresas, hospitais, prisões.
Comerciantes, industriais, agricultores e governantes - com as
escolhas , a etiquetagem, os preços, a publicidade, os
incentivos, os impostos, ajudem a tornar as opções mais
saudáveis as mais fáceis de seguir, e também as mais baratas
de adquirir.
Todos os profissionais de Saúde - com destaque para os clínicos
gerais/médicos de familia, nutricionistas e dietistas, e também
os especialistas, mas não esquecendo a enfermagem).
As organizações não governamentais relacionadas com a saúde,
as farmácias e os farmacêuticos, e toda a Comunicação Social:
atenção constante para estes problemas, e disseminação
constante de mensagens!
INTRODUÇÃO
Imprudência é a palavra chave para entender a maioria dos
acidentes da nossa vida moderna. Sejam as vitimas crianças,
adultos ou idosos, estejam em casa, no local de trabalho, na
estrada ou no desporto.
Consequentemente a prevenção é a palavra de ordem, se
quizermos contribuir para a redução daquela que é a primeira
causa de morte nos anos 15 a 24 e por isso mesmo é, dentre todas
do nosso obituário, aquela que mais anos de vida faz perder á
nossa população - basta que, para cada caso individual,
recordemos a diferença entre a data da morte real e a da
esperança de vida a que tinha direito.
Se multiplicarmos os números de mortes em pelo menos por dez, a
pensar nos acidentados, de qualquer causa, que não morreram (nas
estradas ou no trabalho, em casa ou nas guerras de Africa), mas
ficaram deficiêntes para toda a vida, teremos uma pálida ideia
da enormidade dos numeros abrangidos por esta "doença não
transmissivel": o acidente, mesmo que não mortal, e a
eventual incapacidade crónica, ainda que melhorável - um
milhão de deficientes em Portugal!
1. Os factores de risco que temos vindo a assinalar, sempre que
falamos no Programa CINDI - uso de tabaco, excesso de alcool,
erros alimentares, sedentarismo ou stress biopsicosocial -
contribuem
também para os acidentes, tal como as outras doenças não
transmissiveis abrangidas pelo programa: - doenças
cardiovasculares, cancros, diabetes, doenças mentais, cirrose do
figado, reumatismos, etc., etc.. Mais do que nunca se vê pois
justificada a defesa da prevenção multifactorial e da
colaboração intersectorial, integradas no Programa CINDI, o
mais abrangente, mais ambicioso, e potencialmente mais valioso,
de todos os que a OMS até hoje lançou.
2. Nos acidentes de tráfico domina o álcool: mesmo em doses
consideradas legais, diminui os reflexos e atraza perigosamente a
reacção frente a qualquer imprevisto. "Se beber não
conduza" - peça boleia ou mude de transporte.
Acender o cigarro para fumar pode distrai-lo um só segundo - e
nele perder a vida.! Não fume ao volante: é bom para si e não
prejudica quem vai consigo no carro.
A seguir ás refeições (ou se tomou um calmante) é fácil a
sonolência e com ela o acidente. Em viagem as refeições devem
ser leves e repetidas, e sem álcool. Pare cada hora ou duas
horas: é a oportunidade para comer uma sande, desentorpecer as
pernas fazendo exercício, e até - se ainda é fumador - fumar o
seu cigarro. Parar melhora também o cansaço e o stress da
atenção constante.
Deixe todavia que lhe diga: mais do que o stress são a
imprudência, a própria imprevidência, e até a falta de
civismo, que o fazem esquecer a segurança indispensável no
controlo da velocidade e os cuidados nas ultrapassagens: a
"prevenção somos nós", como já nos ouvimos dizer.
3. Nos acidentes de trabalho - construção civil, maquinaria,
condução na terra, ar ou mar - uma vez mais o álcool, o tabaco
e o stress são factores primordiais a evitar. As grandes
refeições com a digestão pesada, ou os grande intervalos, com
consequente fome e hipoglicémia, devem ser evitados.
Como o exercício ajuda à digestão, substitui o fumar ou beber,
e contribui para reduzir o stress, esse pequeno intervalo para
comer e andar, (ou o complexo gimno-desportivo para usar nas
horas livres) são apostas fundamentais no evitar dos acidentes e
na melhoria da saúde - dos empregados e dos empregadores, que o
mesmo é dizer das Empresas.
4 - Os acidentes domésticos relacionam-se mais com o ambiente:
quedas (degraus das escadas mas também dentro de casa, banheiras
sem apoios, tapetes escorregadios), queimaduras (com água a
ferver ou alimentos aquecidos), fogos (com o gáz ou mesmo
fósforos, usados por crianças ou idosos), envenenamentos
(substancias tóxicas não identificadas como tal, ou de acesso
demasiado fácil), violência (desde a arma branca ou de fogo, à
pancada e ao abuso sexual), tudo pode acontecer. O potencial para
prevenção é infinito e "todo o cuidado é pouco",
como diz o nosso povo.
Inimigo nº 1 o álcool! Facilita as quedas e traz consigo os
maiores descuidos, adormece os fumadores iniciando incêndios, e
é causador das mais graves violências.
5. Os acidentes no desporto - nunca é demais dize-lo -
combatem-se pela prevenção. São tão múltiplos e variados os
desportos e tão incomensuráveis as situações de risco, que
só poderei aqui recordar, uma vez mais, que a principal causa de
acidentes no desporto reside na imprudência e na imprevidência.
Quanto mais consciente o desportista, mais se rodeia de cuidados:
os treinos correctos, os monitores atentos, as regras de
segurança cumpridas
só não acabam com o imprevisto, mas
até esse é reduzido.
A alimentação saudável, o controlo do peso, a restrição do
álcool, parar o tabaco, (e outras drogas!), e a fuga ás
situações stressantes (com o apoio da sua rede de amigos)
ajudarão sobremaneira o desportista saudável, que se mantem
activo por toda a vida.
Aquele quarentão, que se julga 100% saudável depois de pesar
«uma arroba a mais» e completar duas decadas de sedentarismo,
merece particular atenção: se resolver ser "Tarzan" e
retomar o exercício fisíco salutar, sem ter o cuidado de um
prévio exame médico, pode começar por ter afinal
um
acidente cardiovascular!
6. No caso das crianças, desde a tenra infância, em que tudo ou
quase tudo depende da protecção dos adultos, incluindo a
descoberta do terreno doméstico, até á idade escolar onde se
somam a vida nos infantários, colegios e escolas com seus
recreios, e as viagens (mesmo que só de casa para a Escola), é
toda uma sucessão infindável de riscos e perigos, de que
recordo alguns dos exemplos mais importantes:
a) uso do micro-ondas para aquecer os biberons (perigo de o vidro
ficar frio com o leite a queimar)
b) água ou alimentos a ferver sobre a mesa, cuja toalha é
puxada, ou sobre o fogão, com a pega do lado de fora.
c) facas, tesouras, detergentes ou medicamentos ao seu alcance
d)fósforos ou isqueiros acessiveis
e)transporte em automovel ao lado do condutor, sem cadeira
especial, ou atráz sem cinto de segurança
f)escadas, janelas ou varandas sem protecção especial, ou com
largos intervalos entre as grades
g)brincar com sacos de plástico ou objectos pequenos (moedas,
botões)
h)uso de brinquedos não adequados para a idade
i)brincadeira nos recreios sem vigilância
j)desconhecimento das regras de transito (ou ver os peões,
adultos, ignorarem-nas!)
7. Falando de adolescentes - sem nunca esquecer informar todos
desde os mais verdes anos sobre o horror da sida e da droga
(incluindo nelas o tabaco) - haverá que considerar e conversar
sobre todos os perigos inerentes á natural ânsia de descoberta
e de aventura, e ao mesmo tempo incentivá-los á prática
diária de ginástica ou de desporto.
São tão importantes na Escola, para a sua boa formação e seu
desenvolvimento saudável, tanto a sala de aula como o complexo
gimno-desportivo.
Cada desporto terá as suas regras e os seus perigos, cada
caminho, cada transporte, cada actividade de tempos livres.
Aos Pais e Professores, em conjunto, se pede a ajuda permanente
na analise do mundo que os cerca, com eles discutindo as ameaças
do ambiente, a comecar pelo transito e a continuar com os jogos e
práticas desportivas, e a completar com a educação sexual, a
droga, o contágio das hepatites ou a sida.
Referência muito especial aos acidentes de tráfico: automóvel
(alcool, cintos, cumprimento do codigo), motorizadas ou bicicleta
(capacetes, luzes, reflectores na cabeça, nos pedais, no dorso,
no volante e nos aros das rodas - seja visto!) e contenção nas
velocidades.
8. Aos adultos impõe-se recordar com toda a ênfase, o que
dissemos atraz: acidentes de toda a especie (de trânsito,
laborais, domésticos e de lazer ou desportivos) podem ser mais
ou menos influenciados pelos factores de risco já conhecidos
inerentes ás outras doenças não transmissiveis - tabaco,
álcool, erros de alimentação, stress biopsicossocial e
inactividade fisíca - e por isso a vida saudável,
pormenorizadamente defendida pelo Programa CINDI, é o melhor
antídoto contra todos esses acidentes e, simultaneamente, os
outros
os do coração ou os cerebrovasculares.
Nova referência especial aos acidentes de transito pela sua
enormissima mortandade, afirmada pelas estatisticas semanais, e
afinal duplicada no mês seguinte, pois morrerão em média mais
de 50% dos inicialmente contados como vivos, ainda que feridos
graves.
Mais do que no carro ou nas estradas a prevenção está em si:
n Não beba se vai guiar, e se bebeu não conduza
n Não fume se está a guiar, e se quer fumar
pare e saia
do carro
n Coma pouco se for guiar; e pare, para um pequeno petisco, se a
viagem começar a ser longa
n Pare em cada hora, ou duas horas, para fazer exercício, e para
distender o corpo e o espirito
n Não tente ganhar minutos, arriscando num segundo a sua vida e
a dos outros
n Depois de ter carta de condução faça uma ou mais viagens,
com o seu instrutor ao lado, de dia e de noite, na cidade e fora
dela. E saiba que só começa a estar bem treinado depois dos
10.000 Km.
n Obedeça ao Código!
9. Idosos - o acidente também se evita mantendo-se activo e
ginasticado:
n Mantenha por toda a vida uma actividade fisíca diária:
passeios a pé, ginástica, jardinagem e desporto se possivel
(remo, ciclismo, tenis, golf)
n Mantenha o peso e a tensão controlados
n Apoie-se sempre ao corrimão nas escadas e a uma segurança na
banheira
n Se não é doente do coração suba as escadas a pé (descer é
mais perigoso
porque a queda é maior).
n Cuidado com os tapetes em casa, ou outras
"armadilhas"
n Atravesse as ruas nas passadeiras, e mesmo assim com cuidado
n Não faça só revisões (check-up) ao coração, ou
ánálises: os olhos e os ouvidos são também muito importantes
10. Prevenção dos acidentes em caso de catástrofe
Não é possivel pormenorizar o muito que pode ser feito,
individualmente, em caso de incêndios, desabamentos, acidentes
aéreos, terramotos, inundações ou mesmo guerras. A
"Protecção Civil" tem publicado textos e normas para
cada caso especifico, com toda uma serie de recomendações
valiosas, já elaboradas, e que só lastimamos serem praticamente
desconhecidas, não sendo habitualmente divulgadas em jornais,
boletins, programas de rádio ou de televisão. Esforcemo-nos
todos - nós próprios também - para que o sejam.
Uma regra comum para todos eles gostariamos contudo de
recomendar: em qualquer recinto fechado, fora do seu meio
habitual, comece por identificar as saidas de segurança: num
Hotel, numa Boite, num Escritório ou Armazém, em Bares ou Casas
de Espectáculos, num Comboio ou num Barco, siga as regras que
são tão comuns nos Aviões:aprenda a actuar numa emergência,
identifique as saidas, saiba o que fazer para se salvar. Esse
conhecimento pode ajudá-lo a si, e até ajudá-lo a salvar
muitos outros!
INTRODUÇÃO
Osteoporose é um nome difícil de pronunciar mas fácil de
entender: significa que os ossos estão fracos, teem pouco
cálcio, e por isso são mais porosos, isto é, a sua estrutura
torna-se menos densa e eles ficam mais frágeis, o que facilita
grandemente as fracturas, sobretudo em caso de quedas.
1. Saiba que, na maioria das vezes (e como em tantas outras
doenças), mais vale prevenir que remediar - como o nosso povo
diz.
Nalguns casos raros, de osteoporose por doença de glandulas
endócrinas ou dos rins, as causas terão que ser procuradas e
tratadas pelo médico, desde o início. Na maior parte das vezes,
todavia, a prevenção pode fazer-se, e depende de si.
2. Saiba também que a osteoporose aparece sobretudo com a idade
e com maior frequência no sexo feminino: nas mulheres, durante e
depois da menopausa (incluindo a menopausa cirúrgica), e nos
homens idosos. Em todos estes casos o exame radiológico ou
tomográfico da coluna ou do fémur, e sobretudo a
"densitometria óssea", podem ser requisitados pelos
médicos, para diagnóstico e para avaliação da gravidade,
sempre que entendam necessário.
3. A prevenção da osteoporose deve contudo começar muito mais
cedo. Olhe pelos seus filhos, pois que é na infância que se
constroem ossos fortes: dê-lhes pelo menos meio litro de leite
por dia (pois que é rico em cálcio) e uma vida ginasticada e
desportiva (a manter por toda a vida!)*
4. Para si (homem ou mulher, adultos) e para além do leite e da
actividade fisíca, evite o fumo do tabaco (seu ou dos outros,
isto é, tabagismo activo ou passivo) e também o abuso de
bebidas alcoólicas e o excesso de café, pois todos eles
contribuem para a osteoporose, em todas as idades e em ambos os
sexos.
5. Adopte uma "dieta inteligente"** , com menos
gorduras e doçuras, e mais verduras, mais fruta, cereais e pão
de mistura, aumentando o consumo de leite magro e de peixe: desse
modo faz a promoção da sua saúde e a prevenção da
osteoporose (e de muitas outras doenças, incluindo as do
coração e vários cancros!).
6. No caso das mulheres, durante a gravidez, a lactação e
depois da menopausa, a "dieta inteligente" deve ser
suplementada com cálcio (em leite enriquecido, ou medicamentos
receitados).
7. É cada mais vez mais defendida pelos especialistas a
terapêutica hormonal de substituição, nas mulheres peri e pós
menopausa (sobretudo as que tenham outros factores de risco -
hipertensão, diabetes, tabagismo, vida sedentária ou colesterol
elevado*** - e não tenham contra-indicação para os
estrogéneos) no sentido de prevenir a osteoporose, melhorar o
seu bem estar e a qualidade de vida, e também reduzir a doença
aterosclerótica em geral, e a doença cardíaca coronária em
particular (angina de peito ou enfarte do miocárdio**** )
8. Oiça sempre o seu médico de família (e, a seu conselho e se
for caso disso, o reumatologista, o ortopedista, o fisiatra, ou o
ginecologista
ou mesmo o cardiologista) sobre a necessidade
de exames clínicos, ou métodos especiais de diagnóstico ou de
tratamento.
9 - A imobilização prolongada acelera a desmineralização
óssea (ainda mais do que a inactividade física) ao mesmo tempo
que leva à atrofia e "fusão" muscular, e até a
tromboses venosas dos membros inferiores.
A movimentação permitida no leito, e a mobilização articular
e o exercicio orientado dos diversos grupos musculares, ajudarão
a reduzir a descalcificação e a manter a força muscular,
essenciais para a recuperação da actividade e do próprio
equilibrio, evitando assim futuras e previsíveis quedas.
10. O grande medo - justificado - da osteoporose consiste no
muito mais fácil aparecimento de fracturas em consequência de
quedas, mesmo que sejam pequenas (colo do fémur, braços), ou
depois de esforços inusitados ou de transporte de pesos (coluna
vertebral)
O aparecimento de dores inabituais (nas contigências descritas e
nesses locais), mesmo que julgadas inocentes, devem obrigar a
exame médico e a eventual terapêutica (que felizmente é fácil
de fazer e é eficaz).
Cuide da sua saúde!
Estes são conselhos do Prof. Fernando de Pádua
Director do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva
e Coordenador Científico do Programa CINDI-PORTUGAL
Entende-se por obesidade um aumento exessivo de peso, sobretudo
de gorduras, que constitui só por si um perigo para a saúde.
Para efeitos práticos usa-se na sua definição o indice de
massa corporal (IMC) que relaciona o peso com a altura* e que se
deseja, idealmente, entre 20 e 25 (para as pessoas de 20 a 65
anos); todavia só se considera verdadeiramente obesidade, com
significativo prejuizo para a saúde, um indice acima de 30. Um
IMC superior a 40 é considerado obesidade muito grave, de alto
risco.
Embora o tipo constitucional tenha a sua influência (os
leptosómicos ou longilineos, são habitualmente mais magros) uma
regra simplificada, mas fácil de decorar, é não engordar, em
quilogramas, para lá do número de centimetros que se tem acima
de um metro (com 1,60 ou 1,70 não ultrapassar respectivamente 60
ou 70 Kg)**
1. Saiba que a obesidade é uma situação altamente prevalente,
que resulta de um desiquilibrio energético entre as calorias que
se ingerem (quantidade e qualidade da alimentação e das
bebidas) e
as que se gastam com o metabolismo basal do organismo e a
actividade fisíca de cada dia)*
Embora possa haver um componente genético na obesidade, ou uma
doença exigindo tratamento especial, a grande maioria dos casos
tem razões culturais (a alimentação habitual da familia) e de
comportamentos e estilos de vida (actividade profissional e
hábitos de lazer ou desporto) a que se juntam muitas vezes
razões psicológicas (ansiedade ou depressão).
2 - Para lá da agressão emocional da estigmatização - obeso
ou obesa - a verdade é que a obesidade com IMC superior a 30 (e
sobretudo > 40) tende a acompanhar-se de toda uma serie de
perturbações e riscos para a saúde, que a transformam numa
situação preocupante, merecedora da maior atenção:
n dispneia de esforço, apneia do sono, e insuficiência
respiratória restrictiva
n hipertensão arterial**
n hiperlipidémia (subida do colesterol total e LDL e dos
triglicéridos, com baixa do HDL)***
n doenças cardiovasculares (doença aterosclerótica e
coronária e acidente vascular cerebral) com especial gravidade
nos fumadores****
n aparecimento de diabetes não insulino-dependente*****
n calculose biliar
n cancro da vesicula, do seio, do útero e dos ovários, nas
mulheres, e do recto e da próstata no homem
n osteoartrose e gota urica
n doença tromboembolica
3. Tem vindo a chamar-se a atenção para a maior gravidade da
obesidade central, ou abdominal, tipo masculino ou forma de
maçã (relação entre a cintura e o perimetro das coxas e
nadegas > 1 no homem e > 0,8 na mulher) frente á maior
benignidade da obesidade feminina, pélvica, em forma de pera,
com a cintura nitidamente menor que o perimetro á altura dos
grande troncanteres.
4. Uma vez que os hábitos alimentares se criam na infância, e
que os jovens obesos permanecem em regra adultos obesos,
impõe-se iniciar desde cedo, no ensino básico, uma educação
alimentar* , implementando a "dieta inteligente"
procurando convencer as crianças a reduzir os refrescos
açucarados, gelados cremosos, bolos, chocolates e fritos,
atraindo-as para os bons sabores e os saudáveis efeitos da
fruta, leite, yogurte e queijo. E o mesmo se deve dizer do
desporto e da actividade fisica diária, em oposição ao
sedentarismo da TV.
5. Convém acentuar que muitas. vezes a obesidade gradual e
progressiva do adulto, após o casamento, se deve a uma vida mais
sedentária (ele afasta-se dos amigos e do desporto e ela
prende-se mais á casa, com vida mais parada) ambos se
alimentando melhor e com mais gulodices.
Hoje em dia, com a mulher envolvida no mercado de trabalho e vida
profissional igual ao homem, as tarefas de casa dividem-se mas o
resultado é parecido: aumenta o peso por maior ingestão de
calorias (como os "fast food") e aumenta o
sedentarismo.
6. A maior prevalência e maior gravidade da obesidade nas
sociedades da chamada civilização ocidental, pode atribuir-se
também a factores psicológicos, como o aumento do stress, num
mundo instável e muito mais competitivo, as carências afectivas
(compensadas por indulgência alimentar) e a ansiedade ou
depressão, somando-se á oferta excessiva, publicitária e não
só, de guloseimas e de alimentação exageradamente gorda e doce
(a comida "de plástico" das refeições rápidas:
"junk food" e "fast food"), aliadas aos
apoios mecanicos que reduzem todos os esforços (transportes,
ascensores, automação industrial).
Deve acrescentar-se a tudo isto as horas de imobilidade frente á
T.V. ou ao computador, sem a alternativa de "Health
Clubs", Campos de Jogos, complexos gimnodesportivos ou
piscinas de acesso fácil.
7. As medidas mais importantes para a prevenção da obesidade,
promovendo a saúde, bem estar e boa forma fisica, devem incluir
o esclarecimento sobre a meta do peso ideal (IMC entre 20 e 25 ou
peso em quilos menor que o número de centimetros de altura acima
do metro), e o investimento de toda a sociedade em:
a) alimentação inteligente, com maior ingestão de frutas,
verduras e alimentos magros, e menor de gorduras fritas e outros
alimentos gordos, doces e bebidas alcoólicas ou açucaradas
b) balanço energético mantido através da promoção do
desporto e da actividade fisica diária, adequados á idade, sexo
e estado de saúde
c) promover nas comunidades, nas escolas e nas empresas ás
iniciativas conducentes a:
· uma boa educação alimentar (que englobe o pessoal das
cantinas e as empresas de "catering", e inclua até a
correcta interpretação das etiquetas dos alimentos
comercializados)
· e uma vida saudávelmente desportiva, a começar pelo passeio
a pé, incluindo em todos os locais citados, campos de jogos,
piscinas, complexos gimno-desportivos e desportos aquáticos, que
deverão abrir-se a toda a população.
8. As primeiras medidas para correcção da obesidade impõem uma
obediencia mais rigorosa (e acompanhada) ás recomendações
anteriores, de forma a reduzir a ingestão calórica dia-a-dia
(se necessário com a ajuda de dietista, que reveja tudo o que se
come e se bebe), aumentando o esforço fisíco (aproveitando as
oportunidades, a começar pelo passeio higiénico diário de 30
minutos, ou marcha rápida),procurando não emagrecer mais do que
½ Kg por semana (1 a 2 Kgs por mês, controlando com o peso ao
levantar-se) até se aproximar do peso combinado com o médico.
As novas atitudes, comportamentos e estilos de vida, poderão
assim vir para ficar, em programas a longo prazo.
Emagrecimentos rápidos prejudicam a saúde, e até o equilibrio
psiquico, e conduzem muitas vezes a graves recaidas, com rápido
re-engordar, a que se segue nova luta para perder peso, numa
sucessão de subidas e descidas em yô-yô, que alguns acusam de
ser mais prejudicial do que a própria obesidade. Daí o relevo
dado aos problemas comportamentais, apoio e acompanhamento
médico, estabelecimento de metas razoáveis, e a oposição ao
abuso de medicamentos (ou mesmo técnicas cirúrgicas), que ficam
de reserva para os casos de obesidade muito grave.
Cuidado também com o emagrecimento dos jovens (uma pressão
psicológica grande sobre a sua eventual obesidade pode facilitar
casos graves de anorexia nervoso) e dos idosos (que pode sugerir
doença clínica oculta, ou p.ex., intoxicação digitálica).
Na realidade a mortalidade relacionada com a obesidade segue uma
curva em J: aumenta progressivamente com a maior obesidade, mas
aumenta também no extremo oposto, nos casos de magreza excessiva
(IMC «20).
9- A obesidade que se segue por vezes ás tentativas - com exito
- para cessar de fumar, devem ser entendidas como consequencia
directa de renovada sensação de saúde e bem estar, e à
melhoria do apetite por regressão de eventual gastrite, após a
suspensão da droga.
Convém recordar a propósito e a despropósito que o tabaco é
uma droga mortal (ainda que lenta, e com aceitação social) que
provoca dependência, doenças cardiovasculares e cancros. Se o
engordar fosse o preço a pagar pela vitória sobre o tabagismo,
valeria mesmo assim a pena, porque o risco de fumar é muito
superior.
Contudo uma preparação atempada, com a simples decisão de
reduzir gorduras e doces e aumentar verduras e fruta, a par de um
exercicio programado, permitirão vencer grande parte do stress
da toxicodependência que se quer ultrapassar, e vencer a
própria tendência possivel para a obesidade.
Durante a gravidez e a amamentação há por vezes tendência
para engordar mas é imperioso deixar de fumar! (desejavelmente
para todo o sempre).
Nesse periodo devem ser evitadas dietas de emagrecimento, mas
convém fazer o controlo do aumento de peso (250 gr./semana)
devido à própria gravidez (ou seja 1Kg/mês) evitando os
excessos ou irregularidades da alimentação e mantendo os 30
min. de passeio rápido a pé.
10. Os casos de obesidade grave (IMC > 40) ou os de obesidade
"irredutivel", isto é, resistente a todas as medidas
já citadas (peso igual ou superior passados 3 a 6 meses de
regime) devem ser confiados a uma dietista ou nutricionista (em
conjunto com o internista), ou mesmo a uma equipa
multidisciplinar que integre também psiquiatras ou psicólogos,
endocrinologistas, diabetólogos e cardiologistas.
Inicio - Back to Top
Subscrevemos obviamente o
"Código Europeu Contra o Cancro", tal como foi revisto
este ano por um conjunto de cientistas internacionais, e que aqui
traduzimos para si:
Pode evitar certos cancros, e melhorar a saúde em geral, se
adoptar estilos de vida saudáveis:
1. Não fume! Se fuma, pare o mais depressa possível e não fume
na presença de outros. Se não fuma não queira experimentar.
2. Se usa bebidas alcoólicas - cerveja, vinho ou aguardente (ou
similares) - reduza o seu consumo.
3. Aumente a ingestão diária de vegetais e frutos frescos e o
consumo de cereais ricos em fibra.
4. Evite o excesso de peso, aumente a actividade física e reduza
os alimentos ricos em gorduras.
5. Modere a exposição ao sol e evite as suas queimaduras
especialmente na infância.
6. Adopte rigorosamente todas os regulamentos que procuram evitar
a exposição a substâncias cancerígenas. Siga todas as
recomendações de higiene e segurança a respeito de
substâncias que podem provocar o cancro.
Muitos cancros podem ser curados se forem detectados mais cedo:
7. Consulte o seu médico se lhe apareceu um "alto",
uma ferida que não cura (inclusivé na boca), um
"sinal" que muda de forma, tamanho ou côr, ou uma
hemorragia anormal.
8. Consulte o seu médico se notou uma alteração que persiste,
p. ex. tosse, rouquidão, diferente funcionamento dos intestinos
ou da bexiga, ou emagracimento anormal.
Para o sexo feminino:
9. Faça um esfregaço vaginal a intervalos regulares e participe
nas campanhas de detecção do cancro co colo do útero.
10. Examine regularmente os seios e, se tem mais de 50 anos,
participe nas campanhas de mamografia.
Estes conselhos do Código Europeu Contra o Cancro, revistos este
ano, e que traduzimos para si, são também novos conselhos! Se
os seguir contribui para a prevenção do cancro e de várias
doenças!
Conselhos do Prof. Fernando de Pádua
Director do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva e
Coordenador Científico do Programa CINDI - Portugal